Uma das mais poluentes centrais elétricas da Austrália vai fechar

Uma das mais poluentes centrais de produção de energia elétrica da Austrália vai ser encerrada, anunciou hoje o proprietário, num gesto aplaudido pelos ambientalistas. 

 

Foto@ David Crosling / EPA

 

A Hazelwood, central de produção de eletricidade alimentada a carvão, em Latrobe Valley, no estado de Victoria, vai fechar no próximo mês de março depois de o gigante da energia francês Engie ter decidido que a unidade já não é viável.

 

Cerca de 500 pessoas deverão perder o emprego quando a unidade fechar portas, enquanto outras 250 devem permanecer até 2023 para tratar do desmantelamento da central de lenhite e da reabilitação da mina adjacente. A Engie indicou que também procura vender a central de Loy Yang B, igualmente alimentada a carvão, e a central de produção de eletricidade movida a gás.

 

“A Hazelwood tem atualmente mais de 50 anos. Tem sido um maravilhoso contribuidor para o mercado de eletricidade nacional, mas agora atingiu um ponto em que não é mais viável” economicamente, afirmou o presidente executivo da Engie na Austrália em comunicado.

 

“A Engie na Austrália precisaria de investir muitas centenas de milhões de dólares para garantir uma operação viável e acima de tudo continuamente segura. Dadas as atuais condições e previsões do mercado, esse nível de investimento não se justifica”, disse.

 

A Hazelwood – que fornece um quinto (22%) das necessidades energéticas do estado de Victoria e a 4% das da Austrália – é detida pela Engie (72%) e pela empresa japonesa Mitsui (28%).

 

Paris indicou, no final do ano passado, que a Engie – parcialmente detida pelo governo francês – iria parar de investir no desenvolvimento de centrais alimentadas a carvão, a maior fonte das emissões de dióxido de carbono. A lenhite (carvão castanho) é mais poluente do que o carvão preto, pelo que os ambientalistas aplaudem a medida.

 

“A Hazelwood é uma das centrais mais poluentes da Austrália e uma das poluentes do mundo”, disse a chefe executiva da Fundação para a Conservação Australiana, Kelly O’Shanassy.

 

“É um momento-chave na transição para aquilo que já está em curso – a mudança para energias ‘limpas’”, frisou, considerando que a política energética da Austrália se encontra agora nessa “encruzilhada”.

 

O governo federal revelou um pacote de apoio aos trabalhadores de 43 milhões de dólares australianos (29,6 milhões de euros) que se soma a um outro, de 22 milhões de dólares (15,1 milhões de euros) do governo do estado.

 

O ministro da Energia, Josh Frydenberg, afirmou que vai supervisionar de perto o impacto do encerramento da central. O fecho de Hazelwood segue-se ao de outras centrais em todo o país nos últimos anos.

 

Quase dois terços (63%) da energia elétrica na Austrália é gerada a partir do carvão, segundo dados oficiais de 2014-2015.

 

com Lusa

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