Bispo Ximenes Belo alerta para o desaparecimento de fauna e flora em Timor-Leste

O bispo católico timorense Ximenes Belo alertou hoje em Coimbra para o desaparecimento de fauna e flora em Timor-Leste, onde encontra "montanhas e colinas que apresentam um aspeto de desolação e tristeza". 

 

Uma andorinha em Tibar, Timor-Leste. Fotografia tirada e cedida pelo António Casais ao SAPO Timor-Leste

 

O bispo sublinhou que "o meio ambiente timorense está sujeito a uma contínua depauperação", observando o desaparecimento de matagais de "sândalo, teca, palavão preto e palavão branco e de outras árvores preciosas", bem como de aves como "o makikit, a cacatua, o manu metan".

 

O homem tem feito "desaparecer vegetações luxuriantes nos últimos 50 anos", vincou Ximenes Belo, que discursava num evento dinamizado pela Universidade de Coimbra que evocava os 20 anos do Prémio Nobel da Paz, que o bispo timorense recebeu conjuntamente com José Ramos-Horta.

 

"É o território que fica mais pobre na sua fauna e na sua flora", frisou, registando as "queimadas contínuas" no seu país, que levam a que as montanhas e colinas apresentem "um aspeto de desolação e tristeza".

 

Durante o discurso, o bispo timorense apelou à "participação internacional e sobretudo aos países da língua portuguesa" para apoiar o povo timorense "na preservação do seu meio ambiente".

 

Olhando para os 16 anos de independência, Ximenes Belo salientou que a o processo permitiu aos timorenses poderem "gozar de calma, de liberdade, de democracia".

 

Houve um "fortalecimento da economia", na ausência de "abusos de direitos humanos, prisões arbitrárias ou torturas", que marcavam o passado de ocupação indonésia, notou.

 

"As autoridades estão empenhadas em melhorar a situação económica do povo timorense", sublinhou, considerando que é preciso continuar a "unir forças e vontades" para se continuar o processo de construção de uma nação "pacífica, solidária, progressiva e justa".

 

"Timor: Imagens e palavras que mudaram o mundo" é uma iniciativa da Universidade de Coimbra que organizou até hoje um conjunto de eventos dedicados ao tema, assinalando os 25 anos do massacre de Santa Cruz e os 20 anos do Nobel da Paz atribuído a Ximenes Belo e José Ramos-Horta.

 

com Lusa

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