Preocupação em Díli por marcações de árvores para abate no centro da capital

Habitantes de Díli mostraram-se esta semana preocupados com a marcação de várias árvores no centro da capital temendo que, à semelhança do que ocorreu com algumas árvores centenárias à frente do parlamento, possam também ser cortadas.

 


As árvores no centro de Díli. Fotografia tirada por AC

 

Nas últimas semanas, têm sido marcadas com uma cruz branca árvores em várias das ruas do centro da capital o que, como ocorreu no passado, normalmente significa que as árvores vão ser abatidas.

Questionado pela Lusa sobre as marcações, Domingos Soriano, responsável dos serviços de limpeza do distrito de Díli, confirmou que as árvores estavam de facto a ser marcadas, explicando que os funcionários seguiam instruções do primeiro-ministro.

"As instruções para resolver a questão das árvores vieram do primeiro-ministro", disse Soriano.

"As árvores estão a ser marcadas mas não vão ser todas cortadas. Só as que estão a ocupar a estrada", garantiu à Lusa.

Virgílio Guterres, responsável da Fundação Haburas, a organização ambiental mais antiga de Timor-Leste - formada em 1998 por um grupo de jovens timorenses - confirmou a preocupação com a marcação das árvores, explicando que as suas equipas estão a acompanhar a marcação das árvores desde o final do ano.

"Alguns colegas questionaram e quiseram confirmar o objetivo de por sinais nas árvores. Segundo explicaram no distrito de Díli, trata-se de identificar as que já estão secas ou doentes e depois cortar", afirmou à Lusa.

"Mas como no passado cortaram indiscriminadamente árvores em várias zonas, queremos ter a garantia de que isto não volta a ocorrer", disse.

Guterres explicou que já no ano passado se organizaram manifestações que conseguiram evitar o corte programado de várias árvores no centro de Díli, explicando que se for necessário voltarão a tomar medidas idênticas.

"Prometeram que antes de implementarem os cortes das árvores se vão reunir connosco", disse.

"Obviamente que há preocupação com algumas árvores perto dos edifícios que estão em más condições e podem cair com tempestades ou o mau tempo. Mas nem sempre se trata só dessas árvores", afirmou.

O responsável da Fundação Haburas insistiu que argumentos relacionados com os cabos elétricos ou outros, que não tenham a ver com a segurança dos residentes, não podem servir para cortar as árvores, "já que há outras alternativas".

"Temos que proteger as árvores. Se não, Díli vai ficar uma cidade despida. Só com cabos elétricos", afirmou.

com Lusa

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