Professor timorense descobre uso de borras de café para obter água potável

Um investigador timorense, Julião Pereira que está a completar o doutoramento no Brasil, comprovou que o uso de borras de café é um sistema três vezes mais eficaz que o do carvão para filtrar água potável, segundo a imprensa brasileira.


 

Julião Pereira, 31 anos, comprovou a descoberta na sua tese de doutoramento que está a realizar na Universidade Federal de Goiás.

Segundo os resultados da investigação, as borras de café passam por um tratamento que permite a extração de um produto identificado como "torta de café" que é um filtro muito mais eficaz do que o carvão ativado.

 

"Eu sofri muito a beber água imprópria e sabia que esse era um problema grave no meu país. Conversando com os professores, eu disse que queria uma maneira de tratar a água, já que lá não existe tratamento como o que é feito por aqui. Pensamos que precisávamos de algum recurso simples e destaquei que lá existem muitas plantações de café e os estudos concentraram-se nisso", lembra.

 

A investigação, orientada pelo professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, coordenador do Laboratório de Métodos de Extração e Separação (Lames), começou em 2009, quando Julião Pereira chegou ao Brasil no âmbito do programa Ciência Sem Fronteiras, do Ministério da Educação brasileiro.

 

"Depois de fazer inúmeros testes para verificar se o material poderia reter mais poluentes, como metais tóxicos e agrotóxicos, foi comprovado que é muito mais eficiente do que o carvão ativado, existente nos purificadores, que são mais caros", explicou o coordenador brasileiro, citado pela Globo.

 

"Criámos algo que é muito mais barato, eficiente a partir de algo que iria para o lixo", disse.

 

Para adaptar o sistema à realidade timorense - onde a falta de água potável continua a ser um dos maiores riscos para a saúde pública - o investigador começou por secar as borras do café ao sol.

 

Com a borra de café seca, o material é submetido a três processos de extração, primeiro para retirar 15% de óleo de café, que pode ser usado na indústria alimentícia, de biocombustíveis ou de cosméticos.

 

Na segunda etapa, é extraído o aroma do café, que também pode ser reaproveitado na indústria alimentícia e de bebidas e, finalmente, na terceira fase é extraído um fertilizante, que pode ser utilizado na própria cafeicultura.

 

O produto final é a "torta de café" um produto sem cheiro ou sabor e que filtra a água com eficiência.

 

O processo demora 24 horas e o filtro pode ser construído de uma forma simples com tecido de algodão e uma garrafa de plástico e durar até um ano.

 

@Lusa

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