Unidade para transformar lixo em energia começa a ser construída nos arredores de Díli

O projeto de construção de uma unidade de tratamento de lixo e da sua transformação em energia, com uma central de 25MW foi hoje lançado numa cerimónia em Tibar, a zona onde está instalada a lixeira de Díli.


Foto: Epifânio Sarmento/SAPO TL


 

Intervindo na cerimónia de lançamento do projeto, que vai ser desenvolvido por uma empresa de Taiwan, o chefe do Governo, Rui Maria de Araújo, salientou que a unidade corresponde à preocupação do executivo sobre o ambiente e gestão de resíduos urbanos. 

 

"Timor-Leste tem vindo a introduzir diretivas que visam solucionar estas questões, promovendo uma estratégia de gestão de lixos que se preocupa, não só com a sua recolha, como também com o seu tratamento e até a sua reutilização", destacou.

 

"Só posso, por isso, estar satisfeito por ver concretizada uma etapa tão importante para o nosso país, como é o lançamento deste projeto inovador que tem vindo a ser pensado ao longo dos anos e que hoje toma forma", disse ainda.

 

Recorde-se que, em novembro, do ano passado o Governo timorense aprovou a resolução com o "acordo de princípio" com a proposta de investimento apresentada pela empresa taiwanesa Shun Hsin Construction Development Ltd para a construção de uma "unidade industrial de tratamento de lixos em Tibar". O texto reconhecia que "o crescimento populacional, o crescimento das cidades e do consumo, têm vindo a contribuir para agravar as condições ambientais, sobretudo nas zonas urbanas" pelo que é "urgente uma medida de tratamento da poluição".

 

O projeto, que criará 300 empregos, prevê a recolha e armazenamento de lixos, e ainda o tratamento e reutilização de resíduos orgânicos.

 

Considerando a unidade de Tibar um "passo importante no desenvolvimento sustentável" de Timor-Leste, Rui Araújo destacou a importância do tratamento do lixo para a saúde pública.

 

"A sustentabilidade ambiental implica tomarmos decisões e conduzirmos ações que protejam a natureza, criando um meio ambiente favorável ao desenvolvimento do ser humano em harmonia com outros seres vivos", afirmou.

 

Um estudo de 2014 do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) revela que diariamente chegam à lixeira de Tibar mais de 120 toneladas de lixo, sendo a gestão dos resíduos urbanos um desafio crescente para as autoridades da capital.

 

"Se não existir a capacidade de transformar o lixo, com o aumento da população, o desenvolvimento dos sectores da indústria, comércio, agricultura e infraestruturas e o crescimento económico associado a um maior poder de compra que estamos a impulsionar, este volume poderá atingir as 500 toneladas", destacou.

 

"Se não realizarmos já ações concretas para lidar com esta situação, então teremos um desafio ainda maior no futuro", considerou. Rui Araújo destacou o facto de o projeto "transformar o lixo em energia" e o facto da recolha, processamento e incineração de resíduos, reduzir a proliferação de doenças e parasitas. "Ao optarmos por este tipo de tratamento de resíduos, estamos também a reduzir o desperdício, através da recuperação energética, transformando o lixo num bem, que é a energia", disse.

 

"Esta estação de tratamento de lixo pode produzir energia para uma central elétrica com capacidade de 25MW, satisfazendo as necessidades locais de energia para benefício da comunidade", destacou ainda.

 

com Lusa


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