Papa Francisco convida a "renovar a atenção" perante a "degradação ambiental"

O papa Francisco convidou hoje a "renovar a atenção face à degradação ambiental e à recuperação desta em cada território", quando anunciava a publicação a 18 de junho da sua encíclica sobre o meio ambiente.

 

 

"Esta encíclica é dirigida a todos os que possam receber a sua mensagem e crescer na responsabilidade para a casa comum que Deus nos confiou", adiantou o papa, depois celebrar o Angelus, perante uma Praça de São Pedro repleta.

 

O título da que será a primeira encíclica de Francisco - já que a anterior "Luz da fé" (Lumen Fidei) tinha sido escrita parcialmente pelo seu antecessor, Bento XVI - é "Laudato si (louvado seja), sobre o cuidado da casa comum'.

 

'Laudato si' é a frase inicial do Cântico das Criaturas de São Francisco de Asís, escrito en 1225.

 

A encíclica também é o segundo documento pontifício depois da exortação apostólica "Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho).

 

Francisco falou de meio ambiente em muitos dos seus discursos e é famosa a sua frase em que cita o que uma vez um ancião lhe disse: "Deus perdoa sempre, os homens às vezes, a Terra nunca perdoa".

 

Para apresentar o documento, o pontífice escolheu um representante da Igreja católica, o presidente do Conselho Pontifício de Justiça e Paz, cardeal Peter Turkson, mas também Giovanni Zizioulas, representante do patriarcado ortodoxo de Constantinopla, muito ativo na defesa da ecologia.

 

Integra a comissão que apresenta a encíclica um laico, o cientista Schellenhuber, fundador e diretor do Instituto Potsdam para a investigação sobre o impacto das alterações climáticas.

 

Se bem que ainda não se conheça o conteúdo da encíclica escrita em espanhol, a publicação chega precedida de algumas controvérsias sobre qual será a mensagem e a possível crítica aos sistemas económicos e financeiros atuais bem como aos grupos de poder ou multinacionais petrolíferas.

 

Críticas ao atual sistema económico que o papa já realizou em várias ocasiões, ao acusar a sociedade de só se pensar em ganhos e não nas pessoas.

 

O cardeal das Honduras Oscar Rodríguez Maradiaga, coordenador do denominado grupo "C9" que ajuda Francisco nas reformas adotadas na Curia e que leu o documento, afirmou que se trata de "um texto delicioso" que vai por "o dedo na ferida" sobre algumas questões.

 

Maradiaga também adiantou que vai falar muito claramente da responsabilidade que têm as grandes empresas no castigo que se está a infringir ao planeta.

 

"Será uma grande sacudidela que nos fará refletir a todos", adiantou.

 

Durante o voo de regresso da viagem que fez às Filipinas em janeiro último, Francisco já tinha adiantado que queria que a sua encíclica se publicasse em junho para que fosse difundida antes da Cimeira sobre o Clima de Paris prevista para dezembro.

 

@Lusa

horadoplaneta às 06:12 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos