Festival de carne de cão causa polémica na China

Na cidade de Yulin, no sul da China, todos os verões se celebra o festival de carne de cão, onde milhares de animais são consumidos por cidadãos e visitantes, apesar dos protestos dos ativistas pelos direitos dos animais.

 


A maior parte dos residentes de Yulin, uma pequena cidade no sul da China, espera ansiosamente durante todo o ano pelo festival de carne de cão, que se celebra no verão. Nesta altura, família e grupos de amigos juntam-se à mesa para consumir pratos preparados com carne de cão e líchias.

A edição de 2015 começou no dia 21 de junho, dia do solstício de verão e, tal como tem vindo a acontecer nos últimos anos, a tradição está envolta em polémica, com grupos ativistas internacionais a pedirem ao governo chinês uma legislação que proíba esta tradição que, segundo explicam, envolve atos de crueldade contra os animais.

Ontem, um grupo de cerca de 25 ativistas pelos direitos dos animais manifestou-se em frente ao edifício do governo de Yulin, pedindo o encerramento do festival, mas foram rapidamente mandados embora por homens não identificados que, no entanto, se pensa tratarem-se de oficiais do governo.

O mercado da cidade, onde os animais são postos à venda, é um dos pontos de maior tensão durante estes dias. Ainda assim, os negociantes de carne de cão e gato garantem que o negócio está a correr bem.

Durante séculos, os cães não eram vistos como animais de estimação na China. No entanto, a nova classe média está a adotar este hábito ocidental de tratar os cães como elementos da família. O festival vem relembrar este choque de ideais culturais. Por um lado, uns querem defender a tradição e explicam que comer carne de cão é tão brutal como consumir carne de qualquer outro animal. Por outro lado, o facto de uma parte da população chinesa olhar agora para os cães com outra perspetiva, está a tornar este assunto um tabu.

Além de manifestações e petições, há ativistas a tomar medidas mais sérias e diretas. No ano passado, Yang Xiaoyun apareceu nas páginas de jornais depois de gastar cerca de 21 mil euros para salvar 350 cães. A ativista, natural do norte do país, regressou este ano a Yulin com dinheiro angariado por todo o país para salvar mais cães. Yang pretende depois arranjar um lar para os animais em cidades circundantes a Yulin.

com Mood

horadoplaneta às 15:38 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos