Timor-Leste já começa a sentir o impacto das alterações climáticas - UE

Timor-Leste, como outras nações do Pacífico, já começa a sentir o impacto das alterações climáticas, com mudanças no padrão das chuvas, que ocorrem durante menos dias mas com mais intensidade, alertaram hoje Governo e União Europeia.


 

O alerta foi dado numa conferência de imprensa conjunta do Governo e da União Europeia (UE) para marcar a semana da Alteração Climática e em antecipação da conferência de clima de Paris (Cop21), onde se espera um novo acordo ambiental global.

 

"A época das chuvas traz menos água mas a intensidade das chuvas é menor. O impacto em Timor-Leste é claro: menos água e mais deslizes de terra e problemas idênticos devido às encostas íngremes do país", afirmou Sylvie Tabezze, embaixador da UE em Díli.

 

"Adotar medidas para eliminar ou minimizar o impacto das alterações climáticas é urgente, especialmente para os países mais vulneráveis. Adotar medidas agora salva dinheiro e vidas", insistiu.

 

Constâncio Pinto, ministro do Comércio, Indústria e Ambiente de Timor-Leste, destacou que o combate às alterações climáticas "é uma preocupação" no país e que a reunião de Paris é uma oportunidade para consolidar esta agenda internacional.

 

"Em Timor-Leste, como noutros pontos do planeta, já se começa a sentir esse impacto. Notamos os danos que as chuvas causam e o custo que representam", disse.

 

Questionado sobre as medidas que o Governo tem vindo a tomar para proteger o ambiente, incluindo a limpeza de lixo, a limpeza das ribeiras e campanhas de informação, Constâncio Pinto recordou "os enormes desafios" que o país enfrenta.

 

"São questões transversais, que exigem o envolvimento de várias partes.Há esforços da nossa parte, incluindo conferências para sensibilizar a informação sobre as questões ambientais e vai começar a ser construído um centro de incineração de lixos, num investimento de 150 milhões de dólares", disse.

 

"É um desafio para o governo timorense e vamos esforçar-nos para resolver e responder a este desafio. Mas temos falta de recursos humanos e também de financiamento, o que dificulta a nossa intervenção nestas áreas. Não podemos responder a tudo ao mesmo tempo", afirmou.

 

Sylvie Tabezze referiu ainda que a pouco mais de um mês da conferência de Paris, este é um "momento crucial".

 

"A conferência de Paris é uma oportunidade histórica para acelerar a mudança para uma economia global com menos emissões de carbono e protetora do ambiente", disse.

 

No caso de Timor-Leste trata-se, disse, de aproveitar o momento, "arregaçar as mangas e contribuir para a comunidade internacional" com a sua experiência na agenda climática.

 

"Espero que Timor-Leste seja capaz de submeter a sua posição a tempo do COP21. É importante que todos os países se empenhem no combate às alterações climáticas.

 

Um acordo em Paris é a oportunidade de mostrar que trabalhamos juntos para responder a um desafio global", disse. Timor-Leste ratificou em 2006 a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) tendo aderido também à segunda fase do Protocolo de Quioto.

 

Nos últimos anos, Timor-Leste tem implementado várias iniciativas neste quadro, incluindo pequenos projetos de infraestruturas agrícolas, a reabilitação de mangues, projetos de limpeza de água e várias campanhas de informação e educação sobre temas ambientais.

 

@Lusa

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