Presidente francês diz que apoio da China "é essencial" para um acordo na conferência de Paris

O Presidente francês, Francois Hollande, disse hoje que o apoio chinês "é essencial" para um acordo efetivo nas conversas climáticas das Nações Unidas (COP21), a serem realizadas no final deste mês, em Paris.

 

EPA@ Thibault Camus


No arranque de uma visita de Estado de dois dias à China, Hollande afirmou que deseja "um acordo global e ambicioso, que limite o aquecimento global a um máximo de dois graus centígrados".

 

"O apoio chinês é essencial", disse Holland, no município de Chongqing, no centro do país, acrescentando que "a luta contra o aquecimento global é uma questão humanitária - como poderá o planeta ser preservado - e um assunto de considerável importância económica, o chamado crescimento 'verde'".

 

A China, o maior emissor de gases poluentes do mundo, será um elemento chave nas negociações que arrancam a 30 de novembro, numa altura em que países desenvolvidos e em desenvolvimento discutem qual das partes deverá assumir maior responsabilidade na redução das emissões.

 

As conversas terão paralisado em torno do mecanismo que acompanhará os compromissos dos 195 países envolvidos: a França defende um vínculo jurídico, revisto a cada cinco anos, enquanto a China excluiu qualquer tipo de sistema punitivo.

 

Pequim, que terá alegadamente dificultado as negociações durante a conferência de Copenhaga em 2009, já prometeu que as suas emissões de carbono vão atingir o pico máximo "por volta de 2030".

 

Esta é a segunda visita de um chefe de Estado europeu à China no espaço de uma semana, depois de a chanceler alemã, Angela Markel, ter concluído na sexta-feira passada uma deslocação de quatro dias ao país.

 

No mês passado, China e Reino Unido firmaram acordos no valor de 40 mil milhões de libras (55,5 mil milhões de euros), durante a primeira visita de Estado do Presidente chinês, Xi Jinping, a Londres.

 

O segundo e último dia da visita será dedicado à cooperação entre as empresas dos dois países, com um fórum inaugurado pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

 

A China é o segundo maior parceiro comercial da França. Em média, as transações comerciais diárias entre as duas nações somam 160 milhões de euros.

A França é o terceiro destino do investimento chinês na Europa, a seguir ao Reino Unido e Alemanha. Portugal disputa o quarto lugar com a Itália.

 

"Comparando com a receção dos líderes da Alemanha e França ao Dalai Lama, apesar dos protestos chineses, em 2007 e 2008, as coisas mudaram dramaticamente, já que a China agora tem a iniciativa nas relações sino-europeias", escreveu um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) na semana passada.

 

Em editorial, o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC, defende que "a China devia procurar uma interação mais benéfica com a Europa", argumentando que os laços com o continente europeu podem "contrabalançar as restrições impostas pela aliança EUA-Japão".

 

com Lusa

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