Ex-Presidente lidera delegação de Timor-Leste a cimeira de Paris

O ex-presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, vai liderar a delegação timorense à conferência da ONU sobre alterações climáticas (COP21) que começa na segunda-feira em Paris, confirmou à Lusa um membro do executivo.


Fonte: José Ramos-Horta 1996 Nobel Peace Prize Laureate


Constâncio Pinto, ministro do Comércio, Indústria e Ambiente, disse à Lusa que Ramos-Horta foi nomeado pelo Presidente timorense, Taur Matan Ruak, e pelo primeiro-ministro, Rui Maria de Araújo, para apresentar as posições de Timor-Leste na cimeira do clima.

 

Timor-Leste quer dar o seu próprio exemplo sobre o impacto das alterações climáticas uma vez que, como outras nações do Pacífico, começou já a sentir efeitos, nomeadamente com mudanças no padrão das chuvas, que ocorrem durante menos dias mas com mais intensidade.

 

Isso mesmo foi detalhado numa recente conferência conjunta do Governo timorense e da UE em Díli, coincidindo com a semana da Alteração Climática e em jeito de antecipação da conferência de clima de Paris.

 

Constâncio Pinto destacou que o combate às alterações climáticas "é uma preocupação" no país e que a reunião de Paris é uma oportunidade para consolidar esta agenda internacional. "Em Timor-Leste, como noutros pontos do planeta, já se começa a sentir esse impacto. Notamos os danos que as chuvas causam e o custo que representam", disse.

 

Questionado sobre as medidas que o Governo tem vindo a tomar para proteger o ambiente, incluindo a limpeza de lixo, a limpeza das ribeiras e campanhas de informação, Constâncio Pinto recordou "os enormes desafios" que o país enfrenta.

 

"São questões transversais, que exigem o envolvimento de várias partes. Há esforços da nossa parte, incluindo conferências para sensibilizar sobre as questões ambientais e vai começar a ser construído um centro de incineração de lixos, num investimento de 150 milhões de dólares", disse.

 

"É um desafio para o governo timorense e vamos esforçar-nos para resolver e responder a este desafio. Mas temos falta de recursos humanos e também de financiamento, o que dificulta a nossa intervenção nestas áreas. Não podemos responder a tudo ao mesmo tempo", afirmou. Timor-Leste ratificou em 2006 a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) tendo aderido também à segunda fase do Protocolo de Quioto.

 

Nos últimos anos, Timor-Leste tem realizado várias iniciativas neste quadro, incluindo pequenos projetos de infraestruturas agrícolas, a reabilitação de mangais, projetos de limpeza de água e várias campanhas de informação e educação sobre temas ambientais.

 

A COP21, que decorrerá entre 30 de novembro e 11 de dezembro, vai reunir em Paris pelo menos 147 chefes de Estado e de Governo, entre os representantes de 195 países, que tentarão alcançar um acordo vinculativo sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa que permita limitar o aquecimento da temperatura média global da atmosfera a dois graus centígrados acima dos valores registados antes da revolução industrial.

 

com Lusa

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