Terça-feira, 08.11.16

Moçambique foi o país mais afetado por fenómenos climáticos em 2015 - estudo

Moçambique foi o país mais afetado em 2015 pelos fenómenos climáticos extremos e quase metade dos Estados mais atingidos estão em África, conclui um relatório hoje publicado em Marraquexe, por ocasião da conferência da ONU cobre o clima (COP22)

 

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Foto@ António Silva/EPA

 

"A África é particularmente vulnerável aos impactos das alterações climáticas", sublinhou Sönke Kreft, autor principal do 12.º "índice anual dos riscos climáticos" publicado pela organização não-governamental Germanwatch.

 

De maneira geral, os países pobres são os mais expostos às tempestades, ondas de calor, inundações ou secas, fenómenos cuja intensidade e frequência aumenta sob o efeito do aquecimento global.

 

"A repartição dos fenómenos climáticos não é equitativa", acrescentou Kreft, lembrando que os países em desenvolvimento só são historicamente responsáveis por uma parte muito pequena das emissões de gases com efeito de estufa na origem destes fenómenos.

 

O índice da Germanwatch regista os acontecimentos extremos em 180 países, com base em dados da seguradora alemã MunichRe, entre outros.

 

Em 2015, o país mais afetado por fenómenos climáticos foi Moçambique, com 351 mortes atribuíveis aos fenómenos extremos, que provocaram danos estimados em 500 milhões de dólares.

 

No ano passado, recordam os autores do estudo, Moçambique foi atingido por graves inundações que resultaram de chuvas intensas que começaram em dezembro de 2014 e duraram até ao fim de janeiro de 2015 ou mais. Cerca de 325 mil pessoas foram afetadas pelas inundações em Moçambique e 163 pessoas morreram.

 

As inundações também provocaram consequências severas nas infraestruturas e na agricultura e levaram a surtos de doenças como a cólera.

 

Os restantes países mais afetados pelos fenómenos climáticos em 2015 são a Dominica, Maláui, Índia, Vanuatu, Birmânia, Bahamas, Gana, Madagáscar e Chile.

 

A África, continente que acolhe a COP22, a decorrer em Marraquexe até dia 18, é particularmente afetada, com quatro dos 10 países mais atingidos em 2015 (Moçambique, Maláui, Gana e Madagáscar).

 

Entre os 10 países africanos mais afetados em 2015 pelos fenómenos climáticos extremos estão quatro países de língua portuguesa: Moçambique (1.º lugar), Cabo Verde (8.º), Guiné-Bissau (9.º) e Angola (10.º). Moçambique é também o segundo país africano mais afetado nos últimos 20 anos.

 

De 1996 a 2015, perto de 11.000 episódios extremos mataram 528 mil pessoas no mundo, sublinha o relatório.

 

Tempestades, vagas de calor e inundações custaram mais de 3.000 mil milhões de dólares (2.700 mil milhões de euros) no mesmo período.

 

Dos dez países mais afetados nas duas últimas décadas, nove eram países em desenvolvimento no grupo dos Estados de baixo e médio-baixo rendimento.

 

Ao longo destes 20 anos, os países mais afetados foram as Honduras, a Birmânia e o Haiti.

 

As Filipinas, o Bangladesh, o Paquistão, o Vietname e a Tailândia foram também particularmente afetados, tanto em termos humanos como financeiramente.

 

O ranking da Germanwatch tem em conta o número absoluto de mortos e a taxa de mortalidade associada aos fenómenos climáticos, assim como as perdas financeiras absolutas e as perdas por unidade do PIB.

 

A 22.ª conferência do clima da ONU decorre até 18 de novembro com a concretização do Acordo de Paris, alcançado no ano passado, na ordem do dia.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 07.11.16

Conferência das Nações Unidas já começou para "avançar a ação climática"

A 22.ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP22) já começou, reunindo perto de 20 mil pessoas, em Marrocos, para concretizar os compromissos assumidos no Acordo de Paris, contra o aquecimento global. 

 

 

As bandeiras dos países participantes da Conferência das Nações Unidas (COP22) em Marraquexe (Marrocos). Foto@ Mohamed Messara / EPA

 

"Marraquexe é o momento de fazer avançar a ação climática", exortou a responsável pelo Clima nas Nações Unidas, Patricia Espinosa, na sessão de abertura da conferência, apelando aos países que acelerem as medidas a tomar.

 

A 22.ª conferência é uma oportunidade “para inventar um mundo futuro e conseguir uma justiça climática", declarou Ségolène Royal, ministra do Ambiente francesa e presidente da cimeira que firmou o Acordo de Paris, no ano passado, assinado por 192 Estados e já ratificado por uma centena.

 

"Lanço um apelo aos países que ainda não ratificaram [o Acordo de Paris], a fazê-lo antes do final do ano", instou.

 

O chefe da diplomacia marroquina, Salaheddine Mezouar, que preside à COP22, apelou ao mundo para "manter o espírito" de Paris, que significou uma "mobilização sem precedentes", traduzida no acordo adotado em finais de 2015.

 

“O que está em jogo não são só as alterações climáticas, mas uma questão de civilização e de desenvolvimento económico”, frisou, apelando aos países que sejam “mais ambiciosos”.

 

O ministro marroquino sublinhou ainda a “responsabilidade coletiva” para responder às necessidades dos países mais vulneráveis, corroborado pelas declarações da ministra francesa, que lembrou que “África é o continente que sofre mais com as alterações climáticas sem ter responsabilidade por elas”.

 

Os negociadores ainda têm muitas matérias para acordar, de forma a tornar o pacto operacional, nomeadamente a definição de regras de transparência, a apresentação das estratégias nacionais até 2050 e a ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

 

As regras de transparência dizem respeito às informações que os países deverão fornecer sobre os esforços para limitar as suas emissões e os progressos nas ajudas financeiras públicas.

 

Paralelamente a uma maior transparência, o acordo prevê um reforço dos planos de ação de cada país, com vista a limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

Além do objetivo de limitar o aquecimento a +2ºC, o Acordo de Paris prevê que os países realizem "todos os esforços necessários" para que não se ultrapassem os 1,5 graus Celsius, evitando assim "os impactos mais catastróficos das alterações climáticas".

 

No entanto, os compromissos atuais colocam o planeta numa trajetória de +3°C, ou até mesmo 3,4°C, segundo um relatório das Nações Unidas recentemente divulgado.

 

Para conseguir manter o aquecimento abaixo dos +2ºC, as emissões de gases com efeito de estufa têm de parar de aumentar e depois têm de ser reduzidas entre 40 e 70 por cento, entre 2010 e 2050, segundo os especialistas.

 

A estagnação e, posteriormente, a redução das emissões de gases com efeito de estufa implicam uma opção profunda por energias verdes e o abandono dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás).

 

Serão precisos investimentos avultados para tornar os setores da habitação, dos transportes e da indústria menos dependentes de energia, assim como novas políticas agrícolas e alimentares. Isto significa que os países terão de fazer mais do que os compromissos assumidos no Acordo de Paris.

 

O tema do financiamento estará também no coração do debate, tanto em relação à ajuda pública aos países em desenvolvimento de 100 mil milhões de dólares, prometidos até 2020, como ao objetivo de tornar "mais verdes" as finanças mundiais.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 04.11.16

Primeiro acordo universal contra as alterações climáticas entra em vigor

O Acordo de Paris, o primeiro pacto universal contra o aquecimento global, entra hoje simbolicamente em vigor, menos de um ano após ser adotado, mas há um longo caminho a percorrer até à sua aplicação. 

 

 Foto@ Ian Langsdon / EPA

 

A entrada em vigor ocorre após o Acordo de Paris, adotado a 12 de dezembro do ano passado por 195 países na capital francesa, ter sido ratificado pelo número suficiente de países que representem 55% das emissões mundiais de gases com efeito de estufa.

 

Essa meta foi alcançada a 05 de outubro, quando a União Europeia (UE), que representa 12% das emissões, entregou a documentação de ratificação do acordo na sede da ONU. Até então, os 61 países que já tinham ratificado o acordo somavam apenas 47,7% das emissões globais.

 

Nas vésperas da 22.ª Conferência do Clima da ONU (COP22), que arranca na segunda-feira em Marraquexe, um total de 94 países, dos 192 signatários, já ratificaram o Acordo de Paris, um ritmo que ultrapassou as expetativas dos especialistas.

 

"Fizemos em nove meses o que demorou oito anos no protocolo de Quioto", afirmou a presidente da COP21, a ministra francesa Ségolène Royal, citada pela AFP.

 

A rapidez da resposta dos Estados demonstra a tomada de consciência, ao mais alto nível, da necessidade de limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

São poucos os grandes emissores que ainda não ratificaram o acordo: a Rússia não deu indicação sobre uma eventual data para a ratificação, enquanto a Austrália e o Japão estão comprometidos em avançar com o processo.

 

Ainda assim, alerta o especialista Alden Meyer, da organização norte-americana União dos Cientistas Preocupados, "é importante manter a dinâmica de Paris e não apenas regozijar-se com a entrada em vigor".

 

Os negociadores ainda têm muitas matérias sobre as quais é preciso chegar a acordo, de forma a tornar o pacto operacional, nomeadamente a definição de regras de transparência, a apresentação das estratégias nacionais até 2050, a ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

 

"A COP22 tem de ser uma reunião de ação e de implementação", afirmou Tosi Mpanu-Mpanu, porta-voz do grupo dos países menos avançados, citado pela AFP. Destinado a substituir em 2020 o Protocolo de Quioto, o Acordo de Paris visa limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

No entanto, o texto acrescenta que os países se comprometem a levar a cabo "todos os esforços necessários" para que não se ultrapassem os 1,5 graus Celcius, evitando assim "os impactos mais catastróficos das alterações climáticas".

 

Este último objetivo foi incluído por exigência dos países pobres e dos Estados insulares, mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, como a subida do nível do mar e a seca.

 

No entanto, os especialistas avisam que mesmo a meta de +2ºC será difícil de alcançar, implicando cortes mais drásticos nas emissões globais da queima de carvão, petróleo e gás.

 

Os cientistas avisam que, ao ritmo atual, o mundo ficará quatro graus mais quente, ou três graus, se os países cumprirem as metas autoimpostas de redução das emissões nacionais.

 

Já na quinta-feira, um relatório da ONU relembrou que o Acordo de Paris já vem atrasado e que é urgente agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa se se quiser evitar "uma tragédia". A novidade do Acordo de Paris foi que, pela primeira vez, se juntaram os países mais contaminantes e os mais vulneráveis.

 

O Protocolo de Quioto, de 1997, estabelecia objetivos de emissões apenas para os países desenvolvidos, uma das razões por que os EUA não se quiseram vincular.

 

O Acordo de Paris é legalmente vinculativo no seu conjunto, mas não em parte do seu desenvolvimento ou nos objetivos nacionais de redução das emissões.

 

A sua força reside no mecanismo com o qual serão periodicamente revistos os compromissos de cada país, o que é vinculativo.

 

Cada Estado é obrigado a apresentar contas do seu cumprimento e a renovar os seus contributos a cada cinco anos e os países que o quiserem podem usar mecanismos de mercado (compra e venda de emissões) para cumprir os objetivos.

 

O acordo não estabelece sanções por incumprimento, mas prevê a criação de um comité que desenhe um mecanismo transparente para garantir que os compromissos são cumpridos e para alertar, antes do fim dos prazos, se os objetivos são ou não alcançáveis.

 

com Lusa

horadoplaneta às 11:29 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 17.10.16

Alterações climáticas deverão lançar até mais 122 milhões de pessoas na pobreza - FAO

A Organização para a Alimentação e a Agricultura alertou hoje que é urgente ajudar o setor agrícola a adaptar-se às alterações climáticas, que poderão lançar até mais 122 milhões de pessoas na pobreza. 

 

Foto@ António Dasiparu

 

"A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas irão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar", escreve o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, no prefácio de um relatório hoje publicado.

 

Intitulado "O estado da Alimentação e da Agricultura", o relatório sublinha que, se não houvesse alterações climáticas, a maioria das regiões deveria ver reduzir o número de pessoas em risco de pobreza até 2050.

 

Com as mudanças no clima, e se nada for feito, estima-se que a população a viver em pobreza registe um aumento de entre 35 e 122 milhões até 2030.

Isto deve-se sobretudo aos impactos negativos do aquecimento global no setor agrícola.

 

Os mais afetados seriam as populações nas zonas mais pobres da África subsaariana, e do Sul e Sudeste Asiático, especialmente os que dependem da agricultura para viver.

 

Graziano da Silva defende que a fome, a pobreza e as alterações climáticas têm de ser abordadas em conjunto, quanto mais não seja "por um imperativo moral, porque aqueles que hoje mais sofrem são os que menos contribuíram para as alterações climáticas".

 

O relatório da FAO recorda que para manter o aumento da temperatura global abaixo do teto de 2°C, as emissões de gases com efeitos de estufa terão de diminuir 70% até 2050, o que só será possível com o contributo dos setores agrícolas.

 

Estes setores são responsáveis por, pelo menos, um quinto de todas as emissões, sobretudo devido à conversão das florestas em terra cultivada, mas também devido à pecuária e à produção agrícola.

 

No entanto, escrevem os autores, os setores agrícolas enfrentam um duplo desafio: reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa ao mesmo tempo que produzem mais alimentos para saciar uma população crescente e cada vez mais rica.

 

Estima-se que a procura global por alimentos em 2050 seja pelo menos 60% maior do que em 2006, mas o crescimento populacional será concentrado nas regiões que já hoje têm maior prevalência de subnutrição e maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

 

O relatório reconhece que reformular a agricultura e os sistemas alimentares será um processo complexo, devido ao vasto número de partes envolvidas, à multiplicidade dos sistemas agrícolas e de produção alimentar e às diferenças nos ecossistemas.

 

No entanto, alerta, os esforços têm de começar agora, porque os impactos das alterações climáticas só piorarão com o tempo e se nada for feito os países mais pobres terão no futuro de enfrentar simultaneamente a fome, a pobreza e as mudanças climáticas. Nas palavras de Graziano da Silva, "os benefícios da adaptação ultrapassam os custos da inação com margens muito grandes".

 

Nas vésperas da 22.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que começa a 07 de novembro em Marrocos, o relatório sublinha que o sucesso da transformação da agricultura depende em grande medida da ajuda aos pequenos proprietários na adaptação às mudanças climáticas.

 

Estima-se que haja nos países em desenvolvimento cerca de 475 milhões de famílias de pequenos proprietários que produzem em contextos socioeconómicos e condições agroecológicas muito distintas, pelo que não existe uma só resposta.

 

No entanto, a FAO descreve, no relatório, algumas formas "alternativas e economicamente viáveis" de ajudar os agricultores a adaptar-se e a tornar as suas formas de vida mais resilientes, nomeadamente a adoção de práticas inteligentes, como o uso de variedades de culturas nitrogénio-eficientes e tolerantes ao calor.

 

A adoção generalizada de práticas nitrogénio-eficientes, por exemplo, permitiria reduzir em mais de 100 milhões o número de pessoas em risco de subnutrição, estima o relatório.

 

com Lusa

horadoplaneta às 15:31 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 06.10.16

Acordo de Paris sobre alterações climáticas entra em vigor a 04 de novembro

A ONU confirmou ontem que o acordo de Paris sobre as alterações climáticas vai entrar em vigor no próximo dia 04 de novembro, após ter sido alcançado o número de países necessários para legitimar o tratado.


 

"Estou muito feliz por anunciar que hoje o Acordo de Paris vai ultrapassar a segunda e última etapa necessária para a entrada em vigor, que será a 04 de novembro", afirmou em comunicado o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

 

Este último passo foi concretizado após a ratificação do acordo pela União Europeia (UE) e a formalização, na sede da ONU, dos instrumentos legais dessa decisão, num ato hoje realizado.

 

O acordo necessitava, para entrar em vigor, da retificação de pelo menos 55 países que representem 55% das emissões mundiais de gases de efeito de estufa.

 

Após esta confirmação, foi fixado um prazo de 30 dias para a entrada em vigor do tratado, definido em dezembro de 2015 na capital francesa por 191 países e após vários anos de negociações.

 

No fim de semana a Índia anunciou a ratificação do Acordo de Paris e na terça-feira foi a vez da Nova Zelândia e do Conselho da UE.

 

"Foi extraordinário o impulso global para que o Acordo de Paris entrasse em vigor este ano", afirmou Ban Ki-moon, acrescentando que "o que antes parecia impossível é agora imparável".

 

O Acordo de Paris, conseguido em dezembro passado ao reunir 196 países, pretende reduzir as emissões de gases com efeito de estufa responsáveis pelas alterações do clima, que podem provocar fenómenos extremos, como ondas de calor ou picos de chuva.

 

@Lusa

horadoplaneta às 08:43 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 16.09.16

O ano de 2016 está a caminho de tornar-se no mais quente da história

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicou hoje que 2016 está a caminho de se converter no ano mais quente de que há registos históricos e este pode ser o padrão de uma nova realidade. 

 

Pôr-do-sol em Hanover, Alemanha. Foto@ Julian Stratenschulte / EPA

 

“Fomos testemunhas de um período prolongado de calor extraordinário e tudo indica que se isto se converterá na nova norma”, afirmou Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, citado pela agência EFE.

 

O ano está a ser marcado pelo registo de níveis de concentração de dióxido de carbono extremamente altos e pela quebra sucessiva de recordes de temperatura, assinalou ainda o finlandês que dirige a agência das Nações Unidas para o clima.

 

Esta situação e o aquecimento das águas dos oceanos esteve na origem do fenómeno de branqueamento dos corais, sublinhou ainda.

 

“O período excecionalmente prolongado de aquecimento global continuou em agosto, que foi o mais quente nos registos tanto na superfície da terra como nos oceanos”, acrescentou a porta-voz da OMM, Claire Nullis, que citou dados da agência espacial norte-americana (NASA) e do Centro Europeu para as Previsões Meteorológicas a Médio Prazo.

 

Por outro lado, de acordo com os últimos dados, também a superfície de gelo do Ártico alcançou durante o verão boreal, no passado dia 10 de setembro, a segunda mais pequena extensão de sempre, desde que começaram a ser realizados registos por satélite, há 37 anos. A extensão da superfície de gelo este ano apenas é comparável com a verificada em 2007.

 

A extensão de gelo no Ártico foi de 4,14 milhões de quilómetros quadrados e os cientistas acreditam que a situação só não foi mais dramática devido ao verão fresco este ano nessa parte do mundo, em razão de períodos nublados e tempestades regulares.

 

“Essas condições climatéricas desaceleram a perda de gelo durante o verão, mas no essencial estamos apenas um degrau abaixo do recorde”, indicou Nullis.

 

A menor superfície de gelo ártico data de 17 de setembro de 2012, quando diminuiu até aos 3,39 milhões de quilómetros quadrados.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:04 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 17.05.16

Alterações climáticas: cinco ilhas do Pacífico já desapareceram

Cinco das ilhas que pertenciam ao arquipélago das Ilhas Salomão, no Pacífico, já desapareceram devido à subida do nível médio do mar, de acordo com um novo estudo publicado pelo Environmental Research Letters. 


 

As cinco ilhas, constituídas unicamente por vegetação, desapareceram completamente, enquanto outras seis ilhotas estão a passar por um processo de “recessão costeira severa”.

 

De acordo com o Gizmodo, duas comunidades piscatórias já tiveram de ser relocalizadas devido a este processo. “Compreender estes factores locais que aumentam a susceptibilidade das ilhas à erosão costeira é crítico para [nos] guiar a respostas para a adaptação destas comunidades remotas no Pacífico”, explica o relatório.

 

Os investigadores pesquisaram imagens de satélite, adquiridas entre 1947 e 2014, para examinar o estado de erosão de 33 ilhas, naquela que foi a primeira vez que as mudanças naturais da região foram retratadas de forma minuciosa.

 

Por outro lado, a equipa de cientistas australianos afirma que o Oeste do Pacífico é um local perfeito para monitorizar a subido do nível do mar, uma vez que os habitantes estão permanentemente a mudarem-se para locais mais elevados.

 

As Ilhas Salomão têm 560.000 habitantes e perto de 1.000 ilhas. Muitos deles estão a mudar-se para nova partes da ilha ou, inclusive, outras ilhas, devido ao aumento do nível do mar.

 

Taro, a capital da província de Choiseul, está a preparar-se para relocalizar os residentes e serviços, enquanto a uma vila mais a norte da mesma província já viu mais de metade das suas casas serem invadidas pelo mar.

 

Fonte: Green Savers

horadoplaneta às 11:42 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 07.03.16

Agricultura africana deve mudar para sobreviver às alterações climáticas - estudo

A agricultura da África Subsaariana, em particular a produção de feijão, milho e bananas, deverá sofrer profundas transformações para sobreviver às alterações climáticas, alerta um estudo publicado na Nature Climate Change. 

 

Foto@ FAO

 

Cientistas da Universidade de Leeds estudaram as transformações necessárias para manter os níveis de produção agrícola da região, evitando deixar em risco a segurança alimentar e a sobrevivência dos pequenos agricultores da África Subsaariana.

 

"Este estudo mostra onde, e mais crucialmente quando, é necessário fazer intervenções para impedir que as alterações climáticas destruam fontes vitais de alimentos em África", disse o cientista que coordenou o estudo, Julian Ramirez-Villegas da Universidade de Leeds.

 

com Lusa

horadoplaneta às 21:43 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 15.12.15

PM de Cabo Verde "muito satisfeito" com acordos sobre o clima

O primeiro-ministro cabo-verdiano manifestou-se ontem "muito satisfeito" com o acordo de Paris sobre o clima, alcançado no sábado, dizendo que agora é preciso tomar as medidas necessárias para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.


 

"Estou absolutamente satisfeito com os acordos conseguidos em Paris (...), agora é mãos à obra. Temos de trabalhar para mobilizar todos os cabo-verdianos, primeiro, para tomarmos consciência da gravidade da situação, que tem a ver com as mudanças climáticas, e, logo de seguida, para tomarmos as medidas que são necessárias no sentido de mitigarmos os efeitos dessa mudanças e garantirmos a adaptação do país", disse José Maria Neves.

 

O chefe do Governo cabo-verdiano, que falava aos jornalistas à margem da inauguração do museu virtual sobre Amílcar Cabral, lembrou que Cabo Verde, tal como os outros pequenos Estados insulares, tinha proposto que não se ultrapassasse 1,5 graus centígrados, em termos de aquecimento global.

 

"E este elemento, que era uma grande reivindicação dos pequenos Estados insulares, ficou no acordo final. Também foi criado o fundo verde para apoiar sobretudo os Estados insulares, os menos avançados, os africanos e os países de rendimento médio baixo para fazerem face as mudanças climáticas. Consideramos que também aí há ganhos", prosseguiu.

 

José Maria Neves, que discursou na cimeira de Paris, reafirmou que Cabo Verde colocou sobre a mesa um "programa muito ambicioso", de chegar a 100% de energias renováveis no horizonte de 2030, de mobilizar cerca de 75 milhões de metros cúbicos de água e de plantar oito milhões de árvores até 2030.

 

Com o acordo de Paris, conseguido depois de duas semanas de negociações entre representantes de 195 países, mais a União Europeia (UE), cada Estado define as suas metas de redução de gases com efeito de estufa, principais responsáveis pelas alterações climáticas, ficando depois vinculado a esse objetivo.

 

@Lusa
horadoplaneta às 00:15 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 14.12.15

Ajuda urgente necessária para combater 'super' El Niño

Secas, chuvas inesperadas e geadas trazidas por um 'super' El Niño estão a causar impactos severos no Pacífico, com a Papua Nova Guiné a ser a mais atingida, disse hoje o grupo Oxfam num relatório.


 

Ao apelar para uma ajuda especial para salvar vidas, a organização não-governamental disse que 4,7 milhões de pessoas enfrentavam a fome, pobreza e doença na região do Pacífico, na sequência do fenómeno meteorológico.

 

"Esta é uma crise a uma escala global", refere o relatório "Early Action on Super-charged El Nino Vital to Save Lives".

 

"O atual El Niño é um dos mais fortes alguma vez medidos, o que que quer dizer que vão ser registadas condições meteorológicas extremas, que vão ameaçar a segurança alimentar das populações, vidas e modos de subsistência".

 

El Niño é o nome dado a um padrão climático associado a um longo período de aquecimento no Pacífico tropical central e oriental.

 

Os fenómenos El Niño são alterações de entre 12 e 18 meses na distribuição da temperatura da superfície da água do oceano Pacífico que têm efeitos na meteorologia da região.

 

No mês passado, a agência meteorológica da ONU advertiu para o fenómeno, provocado por um aquecimento da temperatura do mar no Oceano Pacífico, que foi o pior em mais de 15 anos.

 

@Lusa

horadoplaneta às 06:55 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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