Segunda-feira, 23.01.17

China convida Trump a combater em conjunto alterações climáticas

O Governo chinês convidou hoje a nova administração dos Estados Unidos, encabeçada por Donald Trump, a combater em conjunto as alterações climáticas e sublinhou que todos os países devem cumprir com o Acordo de Paris. 

 

 

Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, garantiu em conferência de imprensa que Pequim tem "mantido contacto" com o novo Executivo norte-americano.

 

"A China está disposta a trabalhar com todas as partes, incluindo a nova Administração dos EUA, para continuar com o diálogo e a cooperação sobre a questão das alterações climáticas", disse Hua.

 

A porta-voz do ministério considerou o Acordo de Paris um "marco histórico", que a China tem intenção de implementar nas suas políticas domésticas e quer promover no exterior.

 

"É um feito que não foi fácil de alcançar. Todos os países deviam seguir a tendência, aproveitar a oportunidade, adotar ações e implementar o acordo para benefício das gerações futuras", referiu.

 

Hua insistiu na vontade da China de trabalhar junto com Trump, apesar das críticas do Presidente norte-americano às políticas comerciais do país asiático ou a sua aproximação a Taiwan, que Pequim considera território seu e não uma entidade política soberana.

 

"Estamos prontos para trabalhar com a nova Administração (dos Estados Unidos) de uma forma construtiva, para solucionar as nossas diferenças e evitar que perturbem as relações gerais entre os dois países", afirmou a porta-voz.

 

Durante a campanha e já como Presidente eleito, Donald Trump culpou o país asiático de "manipulação da moeda", ou "batotice", e ameaçou taxar os produtos chineses em 45%.

 

Alguns analistas consideram que poderá ocorrer uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

 

"As guerras ou confrontações comerciais não produzirão vencedores, apenas prejudicarão os interesses de ambos e de todas as partes", afirmou Hua, que instou Washington a resolver com Pequim as suas disputas e desacordos em matéria comercial.

 

com Lusa

horadoplaneta às 21:58 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 06.01.17

Poluentes químicos ameaçam ursos polares - Estudo

Os poluentes químicos são também uma ameaça para a vida dos ursos polares, além do aquecimento global, conclui um estudo, hoje divulgado, que sintetiza 40 anos de trabalho de investigação. 

 

EPA@ Greenpeace Photo

 

Segundo o estudo, publicado na revista científica Environmental Toxicology and Chemistry, estes poluentes representam um risco para a saúde dos ursos cem vezes superior ao limite considerado aceitável para os animais adultos.

 

Nas crias, sujeitas aos químicos através do leite materno, o risco é mil vezes superior.

 

Os cientistas sintetizaram 40 anos de trabalho sobre a exposição dos ursos polares a químicos, mas também das focas e do bacalhau, numa área entre as ilhas Svalbard (Noruega) e o estado do Alasca (Estados Unidos), ambos banhados pelo oceano Ártico.

 

"Trata-se do primeiro estudo que visa quantificar o risco que os poluentes orgânicos persistentes representam para ecossistema ártico", disse, citada pela agência AFP, a principal autora do estudo, Sara Villa, toxicóloga da Universidade de Milano-Bicocca, em Itália.

 

Usados na agricultura e na indústria, os poluentes orgânicos persistentes, como os pesticidas, mantêm-se durante décadas na natureza, contaminando a cadeia alimentar: passam, por exemplo, do plâncton (organismos microscópicos que flutuam no mar) aos peixes, depois às focas e, no fim, aos ursos.

 

Ao acumularem-se no organismo, até atingirem doses muito tóxicas, os químicos podem afetar os sistemas imunitário, reprodutivo e endócrino.

 

Vestígios de policlorobifenilos (PCB), um dos poluentes orgânicos persistentes, cujo uso está proibido desde a década de 70, foram detetados nos ursos polares, de acordo com a investigação.

 

Novas famílias de compostos químicos, como a do ácido perfluorooctanessulfónico (PFOS), considerado "muito tóxico para os mamíferos", substituíram o PCB.

 

De acordo com o estudo, as concentrações de PFOS são elevadas nos ursos polares, dez vezes mais do que nas focas.

 

Estas substâncias químicas, autorizadas, são utilizadas para impermeabilizar papel, tecidos, mobiliário, evitar manchas de água ou gordura, e para produzir determinadas espumas de extintores.

 

As estimativas apontam para que, em 2050, a população de ursos polares, já ameaçada pelo degelo decorrente das alterações climáticas, diminua num terço.

 

No Ártico, o aquecimento global poderá gerar verões sem gelo dentro de 20 anos, vaticinam os cientistas.

 

com Lusa

horadoplaneta às 23:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 14.12.16

Ártico bate recordes de calor entre outubro de 2015 e setembro de 2016

O Ártico bateu recordes de calor no período de 12 meses terminado em setembro, quando o ar quente desencadeou uma fusão massiva de gelo e neve e atrasou o gelo do inverno, divulgaram cientistas na terça-feira. 

 

 

A avaliação lúgubre foi feita no relatório sobre o Ártico relativo a 2016, um documento revisto por outros cientistas que não os seus autores, feito por 61 cientistas de todo o mundo, que é publicado pela agência governamental dos EUA para a Atmosfera e os Oceanos (NOAA, na sigla em Inglês).

 

O documento cobre o período de outubro de 2015 a setembro de 2016, um período em que “a temperatura média anual sobre as áreas terrestres (do Ártico) foi a maior desde que há registos”, como se salientou.

 

“Raramente se viu o Ártico evidenciar um tão claro, forte ou acentuado sinal de persistente aquecimento e os seus efeitos em cascada no ambiente do que este ano”, afirmou Jeremy Mathis, diretor do programa de investigação sobre o Ártico que está a ser desenvolvido na NOAA.

 

A região do Ártico continua a aquecer a uma velocidade que é o dobro da do resto do planeta, que também deve ter em 2016 o ano mais quente dos tempos modernos.

 

Os cientistas climáticos disseram que as razões para o aumento da temperatura incluem a queima dos combustíveis fósseis, que emite gases com efeito de estufa para a atmosfera, bem como a tendência de aquecimento do oceano associada ao El Niño, que terminou em meados do ano mas exacerbou o aquecimento.

 

A temperatura média anual do Ártico em terra supera em 3,5 graus Celsius (ºC) a registada em 1900.

 

A temperatura da superfície do mar no pico do verão, em agosto de 2016, esteve 5ºC acima da média do período 1982-2010 nos mares de Barents e Chukchi, bem como nas costas leste e oeste da Gronelândia.

 

com Lusa

horadoplaneta às 21:56 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 22.11.16

Recordes das temperaturas altas vão ser mais frequentes do que das frias

Um estudo divulgado, nesta segunda-feira, prevê que os recordes diários de temperaturas elevadas nos EUA vão ser batidos com mais frequência do que no caso das frias. 

 

AFP Photo@ Jim Watson

 

Normalmente, o país tem registado o mesmo número de máximos de temperaturas quentes e frias ao longo dos anos. Mas desde 2010 que isso deixou de acontecer, com os recordes dos dias quentes a mais do que duplicarem os dos dias frios.

 

O estudo, publicado nos Anais da Academia norte-americana de Ciências, prevê que à medida que as alterações climáticas se intensificarem este rácio suba para cerca de 15 recordes de calor por cada um de frio.

 

O autor principal do estudo, Gerald Meehlm, do Centro norte-americano de Investigação Atmosférica, estimou que este rácio tão desequilibrado pode ocorrer dentro de 50 anos a partir de agora, se as emissões de gases com efeito de estufa, resultantes da queima de carvão, petróleo e gás, continuarem com o ritmo atual.

 

com Lusa

horadoplaneta às 12:57 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 17.11.16

Everydayclimatechange, Instagram ne'ebé hatudu foto sira hosi alterasaun klimátiku

Alterasaun klimátiku sira hanesan real. Ba ema sira ne'ebé iha dúvida ho asaun sira ne'e maka fotógrafu James Whitlow Delano lansa ona Everydayclimatechange, instagram ne'ebé fotógrafu sira hosi mundu tomak bele fahe imajen sira ne'ebé hatudu impaktu hosi alterasaun klimátiku sira, no hatudu oinsá maka mudansa sira ne'e afeta ema millaun resin nia loron-loron. 

 

Foto: Everydayclimatechange


Entre foto sira ne'ebé fahe iha feed Everydayclimatechange bele haree foto sira hosi ai-laran sira ne'ebé estraga tanba inséndiu sira iha Mosambike, labarik afegaun sira ne'ebé hamoos valeta sira ne'ebé nakonu ho foer sira ne'ebé maka bee lori iha inundasaun, labarik sira ne'ebé tuur iha sasán restu iha bee ne'ebé mosu hosi inundasaun iha Jakarta ka jelu ne'ebé nabeen iha Ártiku.

 

Ema ida bele kontribui ba kauza hosi Everydayclimatechange. Karik hakarak kontribui bele fahe foto sira iha Instagram ho hastag #everydayclimatechange.

 

Fonte: Green Savers

horadoplaneta às 16:00 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 09.11.16

Os últimos cinco anos foram os mais quentes de sempre

Os efeitos das alterações climáticas tornaram-se mais frequentes nos últimos anos, com o período 2011-2015 a ser o conjunto de cinco anos mais quente desde que há registos, segundo um relatório das Nações Unidas divulgado esta terça-feira (08/11) em Marrocos. 

 

 

As alterações climáticas têm provocado mais ondas mortais de calor, mais furacões, inundações e secas, que têm sido mais frequentes e intensas nos últimos anos. Segundo dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), à margem das negociações da ONU sobre o clima, que decorrem em Marraquexe, a pegada ecológica dos seres humanos é cada vez mais visível nos fenómenos climáticos.

 

A última meia década foi o período de cinco anos mais quente desde que há registos, com 2014 e 2015 a serem os mais quentes de todos os anos. Segundo a OMM, organização do universo das Nações Unidas, 2016 pode mesmo bater 2014 e 2015.

 

A mudança climática "tem aumentado os riscos de eventos extremos, tais como ondas de calor, secas, chuvas e inundações prejudiciais", disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, citado pelas agências France Presse e AP.

 

Cerca de 300 mil pessoas morreram em catástrofes estimuladas pelos fenómenos climáticos, durante o período 2011-2015.

 

A grande maioria do excesso de mortalidade - a atribuída ao impacto adicional da mudança climática - ocorreu durante a 2010-2012, nas secas da África Oriental. O furacão Haiyan nas Filipinas, em 2013, e as ondas de calor na Índia e no Paquistão, em 2015, foram outros dos fenómenos que mais contribuíram para a mortalidade provocada por fenómenos extremos.

 

De acordo com o relatório divulgado em Marraquexe, a cobertura de gelo do Ártico, no verão, esteve 28% abaixo da média de 1981-2010, alcançando o nível mais baixo em 2012. Pelo contrário, o gelo no mar Antártico ficou acima da média, especialmente no inverno.

 

Também a superfície de gelo derretido na Gronelândia – que contribui para a elevação do nível do mar –, no período de 2011 a 2015, continuou em valores acima da média, registados todos os cinco anos, de 1981 a 2010.

 

com Lusa

horadoplaneta às 16:41 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 08.11.16

Moçambique foi o país mais afetado por fenómenos climáticos em 2015 - estudo

Moçambique foi o país mais afetado em 2015 pelos fenómenos climáticos extremos e quase metade dos Estados mais atingidos estão em África, conclui um relatório hoje publicado em Marraquexe, por ocasião da conferência da ONU cobre o clima (COP22)

 

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Foto@ António Silva/EPA

 

"A África é particularmente vulnerável aos impactos das alterações climáticas", sublinhou Sönke Kreft, autor principal do 12.º "índice anual dos riscos climáticos" publicado pela organização não-governamental Germanwatch.

 

De maneira geral, os países pobres são os mais expostos às tempestades, ondas de calor, inundações ou secas, fenómenos cuja intensidade e frequência aumenta sob o efeito do aquecimento global.

 

"A repartição dos fenómenos climáticos não é equitativa", acrescentou Kreft, lembrando que os países em desenvolvimento só são historicamente responsáveis por uma parte muito pequena das emissões de gases com efeito de estufa na origem destes fenómenos.

 

O índice da Germanwatch regista os acontecimentos extremos em 180 países, com base em dados da seguradora alemã MunichRe, entre outros.

 

Em 2015, o país mais afetado por fenómenos climáticos foi Moçambique, com 351 mortes atribuíveis aos fenómenos extremos, que provocaram danos estimados em 500 milhões de dólares.

 

No ano passado, recordam os autores do estudo, Moçambique foi atingido por graves inundações que resultaram de chuvas intensas que começaram em dezembro de 2014 e duraram até ao fim de janeiro de 2015 ou mais. Cerca de 325 mil pessoas foram afetadas pelas inundações em Moçambique e 163 pessoas morreram.

 

As inundações também provocaram consequências severas nas infraestruturas e na agricultura e levaram a surtos de doenças como a cólera.

 

Os restantes países mais afetados pelos fenómenos climáticos em 2015 são a Dominica, Maláui, Índia, Vanuatu, Birmânia, Bahamas, Gana, Madagáscar e Chile.

 

A África, continente que acolhe a COP22, a decorrer em Marraquexe até dia 18, é particularmente afetada, com quatro dos 10 países mais atingidos em 2015 (Moçambique, Maláui, Gana e Madagáscar).

 

Entre os 10 países africanos mais afetados em 2015 pelos fenómenos climáticos extremos estão quatro países de língua portuguesa: Moçambique (1.º lugar), Cabo Verde (8.º), Guiné-Bissau (9.º) e Angola (10.º). Moçambique é também o segundo país africano mais afetado nos últimos 20 anos.

 

De 1996 a 2015, perto de 11.000 episódios extremos mataram 528 mil pessoas no mundo, sublinha o relatório.

 

Tempestades, vagas de calor e inundações custaram mais de 3.000 mil milhões de dólares (2.700 mil milhões de euros) no mesmo período.

 

Dos dez países mais afetados nas duas últimas décadas, nove eram países em desenvolvimento no grupo dos Estados de baixo e médio-baixo rendimento.

 

Ao longo destes 20 anos, os países mais afetados foram as Honduras, a Birmânia e o Haiti.

 

As Filipinas, o Bangladesh, o Paquistão, o Vietname e a Tailândia foram também particularmente afetados, tanto em termos humanos como financeiramente.

 

O ranking da Germanwatch tem em conta o número absoluto de mortos e a taxa de mortalidade associada aos fenómenos climáticos, assim como as perdas financeiras absolutas e as perdas por unidade do PIB.

 

A 22.ª conferência do clima da ONU decorre até 18 de novembro com a concretização do Acordo de Paris, alcançado no ano passado, na ordem do dia.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 07.11.16

Conferência das Nações Unidas já começou para "avançar a ação climática"

A 22.ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP22) já começou, reunindo perto de 20 mil pessoas, em Marrocos, para concretizar os compromissos assumidos no Acordo de Paris, contra o aquecimento global. 

 

 

As bandeiras dos países participantes da Conferência das Nações Unidas (COP22) em Marraquexe (Marrocos). Foto@ Mohamed Messara / EPA

 

"Marraquexe é o momento de fazer avançar a ação climática", exortou a responsável pelo Clima nas Nações Unidas, Patricia Espinosa, na sessão de abertura da conferência, apelando aos países que acelerem as medidas a tomar.

 

A 22.ª conferência é uma oportunidade “para inventar um mundo futuro e conseguir uma justiça climática", declarou Ségolène Royal, ministra do Ambiente francesa e presidente da cimeira que firmou o Acordo de Paris, no ano passado, assinado por 192 Estados e já ratificado por uma centena.

 

"Lanço um apelo aos países que ainda não ratificaram [o Acordo de Paris], a fazê-lo antes do final do ano", instou.

 

O chefe da diplomacia marroquina, Salaheddine Mezouar, que preside à COP22, apelou ao mundo para "manter o espírito" de Paris, que significou uma "mobilização sem precedentes", traduzida no acordo adotado em finais de 2015.

 

“O que está em jogo não são só as alterações climáticas, mas uma questão de civilização e de desenvolvimento económico”, frisou, apelando aos países que sejam “mais ambiciosos”.

 

O ministro marroquino sublinhou ainda a “responsabilidade coletiva” para responder às necessidades dos países mais vulneráveis, corroborado pelas declarações da ministra francesa, que lembrou que “África é o continente que sofre mais com as alterações climáticas sem ter responsabilidade por elas”.

 

Os negociadores ainda têm muitas matérias para acordar, de forma a tornar o pacto operacional, nomeadamente a definição de regras de transparência, a apresentação das estratégias nacionais até 2050 e a ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

 

As regras de transparência dizem respeito às informações que os países deverão fornecer sobre os esforços para limitar as suas emissões e os progressos nas ajudas financeiras públicas.

 

Paralelamente a uma maior transparência, o acordo prevê um reforço dos planos de ação de cada país, com vista a limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

Além do objetivo de limitar o aquecimento a +2ºC, o Acordo de Paris prevê que os países realizem "todos os esforços necessários" para que não se ultrapassem os 1,5 graus Celsius, evitando assim "os impactos mais catastróficos das alterações climáticas".

 

No entanto, os compromissos atuais colocam o planeta numa trajetória de +3°C, ou até mesmo 3,4°C, segundo um relatório das Nações Unidas recentemente divulgado.

 

Para conseguir manter o aquecimento abaixo dos +2ºC, as emissões de gases com efeito de estufa têm de parar de aumentar e depois têm de ser reduzidas entre 40 e 70 por cento, entre 2010 e 2050, segundo os especialistas.

 

A estagnação e, posteriormente, a redução das emissões de gases com efeito de estufa implicam uma opção profunda por energias verdes e o abandono dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás).

 

Serão precisos investimentos avultados para tornar os setores da habitação, dos transportes e da indústria menos dependentes de energia, assim como novas políticas agrícolas e alimentares. Isto significa que os países terão de fazer mais do que os compromissos assumidos no Acordo de Paris.

 

O tema do financiamento estará também no coração do debate, tanto em relação à ajuda pública aos países em desenvolvimento de 100 mil milhões de dólares, prometidos até 2020, como ao objetivo de tornar "mais verdes" as finanças mundiais.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 04.11.16

Primeiro acordo universal contra as alterações climáticas entra em vigor

O Acordo de Paris, o primeiro pacto universal contra o aquecimento global, entra hoje simbolicamente em vigor, menos de um ano após ser adotado, mas há um longo caminho a percorrer até à sua aplicação. 

 

 Foto@ Ian Langsdon / EPA

 

A entrada em vigor ocorre após o Acordo de Paris, adotado a 12 de dezembro do ano passado por 195 países na capital francesa, ter sido ratificado pelo número suficiente de países que representem 55% das emissões mundiais de gases com efeito de estufa.

 

Essa meta foi alcançada a 05 de outubro, quando a União Europeia (UE), que representa 12% das emissões, entregou a documentação de ratificação do acordo na sede da ONU. Até então, os 61 países que já tinham ratificado o acordo somavam apenas 47,7% das emissões globais.

 

Nas vésperas da 22.ª Conferência do Clima da ONU (COP22), que arranca na segunda-feira em Marraquexe, um total de 94 países, dos 192 signatários, já ratificaram o Acordo de Paris, um ritmo que ultrapassou as expetativas dos especialistas.

 

"Fizemos em nove meses o que demorou oito anos no protocolo de Quioto", afirmou a presidente da COP21, a ministra francesa Ségolène Royal, citada pela AFP.

 

A rapidez da resposta dos Estados demonstra a tomada de consciência, ao mais alto nível, da necessidade de limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

São poucos os grandes emissores que ainda não ratificaram o acordo: a Rússia não deu indicação sobre uma eventual data para a ratificação, enquanto a Austrália e o Japão estão comprometidos em avançar com o processo.

 

Ainda assim, alerta o especialista Alden Meyer, da organização norte-americana União dos Cientistas Preocupados, "é importante manter a dinâmica de Paris e não apenas regozijar-se com a entrada em vigor".

 

Os negociadores ainda têm muitas matérias sobre as quais é preciso chegar a acordo, de forma a tornar o pacto operacional, nomeadamente a definição de regras de transparência, a apresentação das estratégias nacionais até 2050, a ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

 

"A COP22 tem de ser uma reunião de ação e de implementação", afirmou Tosi Mpanu-Mpanu, porta-voz do grupo dos países menos avançados, citado pela AFP. Destinado a substituir em 2020 o Protocolo de Quioto, o Acordo de Paris visa limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

No entanto, o texto acrescenta que os países se comprometem a levar a cabo "todos os esforços necessários" para que não se ultrapassem os 1,5 graus Celcius, evitando assim "os impactos mais catastróficos das alterações climáticas".

 

Este último objetivo foi incluído por exigência dos países pobres e dos Estados insulares, mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, como a subida do nível do mar e a seca.

 

No entanto, os especialistas avisam que mesmo a meta de +2ºC será difícil de alcançar, implicando cortes mais drásticos nas emissões globais da queima de carvão, petróleo e gás.

 

Os cientistas avisam que, ao ritmo atual, o mundo ficará quatro graus mais quente, ou três graus, se os países cumprirem as metas autoimpostas de redução das emissões nacionais.

 

Já na quinta-feira, um relatório da ONU relembrou que o Acordo de Paris já vem atrasado e que é urgente agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa se se quiser evitar "uma tragédia". A novidade do Acordo de Paris foi que, pela primeira vez, se juntaram os países mais contaminantes e os mais vulneráveis.

 

O Protocolo de Quioto, de 1997, estabelecia objetivos de emissões apenas para os países desenvolvidos, uma das razões por que os EUA não se quiseram vincular.

 

O Acordo de Paris é legalmente vinculativo no seu conjunto, mas não em parte do seu desenvolvimento ou nos objetivos nacionais de redução das emissões.

 

A sua força reside no mecanismo com o qual serão periodicamente revistos os compromissos de cada país, o que é vinculativo.

 

Cada Estado é obrigado a apresentar contas do seu cumprimento e a renovar os seus contributos a cada cinco anos e os países que o quiserem podem usar mecanismos de mercado (compra e venda de emissões) para cumprir os objetivos.

 

O acordo não estabelece sanções por incumprimento, mas prevê a criação de um comité que desenhe um mecanismo transparente para garantir que os compromissos são cumpridos e para alertar, antes do fim dos prazos, se os objetivos são ou não alcançáveis.

 

com Lusa

horadoplaneta às 11:29 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 17.10.16

Alterações climáticas deverão lançar até mais 122 milhões de pessoas na pobreza - FAO

A Organização para a Alimentação e a Agricultura alertou hoje que é urgente ajudar o setor agrícola a adaptar-se às alterações climáticas, que poderão lançar até mais 122 milhões de pessoas na pobreza. 

 

Foto@ António Dasiparu

 

"A menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas irão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar", escreve o diretor-geral da organização, José Graziano da Silva, no prefácio de um relatório hoje publicado.

 

Intitulado "O estado da Alimentação e da Agricultura", o relatório sublinha que, se não houvesse alterações climáticas, a maioria das regiões deveria ver reduzir o número de pessoas em risco de pobreza até 2050.

 

Com as mudanças no clima, e se nada for feito, estima-se que a população a viver em pobreza registe um aumento de entre 35 e 122 milhões até 2030.

Isto deve-se sobretudo aos impactos negativos do aquecimento global no setor agrícola.

 

Os mais afetados seriam as populações nas zonas mais pobres da África subsaariana, e do Sul e Sudeste Asiático, especialmente os que dependem da agricultura para viver.

 

Graziano da Silva defende que a fome, a pobreza e as alterações climáticas têm de ser abordadas em conjunto, quanto mais não seja "por um imperativo moral, porque aqueles que hoje mais sofrem são os que menos contribuíram para as alterações climáticas".

 

O relatório da FAO recorda que para manter o aumento da temperatura global abaixo do teto de 2°C, as emissões de gases com efeitos de estufa terão de diminuir 70% até 2050, o que só será possível com o contributo dos setores agrícolas.

 

Estes setores são responsáveis por, pelo menos, um quinto de todas as emissões, sobretudo devido à conversão das florestas em terra cultivada, mas também devido à pecuária e à produção agrícola.

 

No entanto, escrevem os autores, os setores agrícolas enfrentam um duplo desafio: reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa ao mesmo tempo que produzem mais alimentos para saciar uma população crescente e cada vez mais rica.

 

Estima-se que a procura global por alimentos em 2050 seja pelo menos 60% maior do que em 2006, mas o crescimento populacional será concentrado nas regiões que já hoje têm maior prevalência de subnutrição e maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

 

O relatório reconhece que reformular a agricultura e os sistemas alimentares será um processo complexo, devido ao vasto número de partes envolvidas, à multiplicidade dos sistemas agrícolas e de produção alimentar e às diferenças nos ecossistemas.

 

No entanto, alerta, os esforços têm de começar agora, porque os impactos das alterações climáticas só piorarão com o tempo e se nada for feito os países mais pobres terão no futuro de enfrentar simultaneamente a fome, a pobreza e as mudanças climáticas. Nas palavras de Graziano da Silva, "os benefícios da adaptação ultrapassam os custos da inação com margens muito grandes".

 

Nas vésperas da 22.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que começa a 07 de novembro em Marrocos, o relatório sublinha que o sucesso da transformação da agricultura depende em grande medida da ajuda aos pequenos proprietários na adaptação às mudanças climáticas.

 

Estima-se que haja nos países em desenvolvimento cerca de 475 milhões de famílias de pequenos proprietários que produzem em contextos socioeconómicos e condições agroecológicas muito distintas, pelo que não existe uma só resposta.

 

No entanto, a FAO descreve, no relatório, algumas formas "alternativas e economicamente viáveis" de ajudar os agricultores a adaptar-se e a tornar as suas formas de vida mais resilientes, nomeadamente a adoção de práticas inteligentes, como o uso de variedades de culturas nitrogénio-eficientes e tolerantes ao calor.

 

A adoção generalizada de práticas nitrogénio-eficientes, por exemplo, permitiria reduzir em mais de 100 milhões o número de pessoas em risco de subnutrição, estima o relatório.

 

com Lusa

horadoplaneta às 15:31 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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