Quinta-feira, 12.10.17

ONU: Desastres naturais provocam quase 14 milhões de deslocados por ano

Os distintos desastres naturais que afetam anualmente várias zonas do mundo provocam o deslocamento forçado de 13,9 milhões de pessoas, indicou ontem um relatório da agência da ONU para a Redução dos Riscos de Desastres (UNISDR). 

 

 

Ao abrigo de uma nova metodologia de análise, o novo relatório da UNISDR avaliou os dados relativos a 204 países e territórios e concluiu que o número de pessoas deslocadas a nível mundial vai continuar a aumentar, nomeadamente nos países mais vulneráveis, caso não existam progressos significativos nas áreas da prevenção e da gestão de riscos.

 

O estudo da agência das Nações Unidas, que exclui as secas e o aumento do nível do mar por serem fenómenos naturais de progressão lenta, apontou as inundações, cuja frequência está a aumentar a nível mundial, como o desastre natural que provoca mais deslocados.

 

Apesar da relação estabelecida entre fenómenos naturais avassaladores e o deslocamento forçado de populações, o responsável do estudo, Justin Ginnetti, realçou que estas movimentações em massa estão igualmente ligadas à falta de governabilidade, à pobreza, à degradação dos ecossistemas e a um desenvolvimento urbano caótico.

 

Vários furacões e ciclones deixaram nos últimos meses um rasto de morte e de destruição nas Caraíbas e nos Estados Unidos. Também foi atingido um recorde de inundações em países como a Índia, Nepal e Bangladesh.

 

Oito dos dez países com o maior número de deslocados ou de pessoas que ficaram desalojadas por causa de desastres naturais estão localizados no sul e no sudeste da Ásia.

 

De acordo com os números apresentados pela UNISDR, a Índia regista 2,3 milhões de deslocados, seguida da China (1,3 milhões) e do Bangladesh (1,2 milhões).

 

Esta lista de dez países também é composta pelo Vietname (um milhão), Filipinas (720 mil), Birmânia (570 mil), Paquistão (460 mil), Indonésia (380 mil), Rússia (250 mil) e Estados Unidos (230 mil).

 

Lusa

horadoplaneta às 15:11 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 14.11.16

Desastres naturais atiram anualmente 26 milhões de pessoas para a pobreza - BM

Os desastres naturais atiram para a pobreza 26 milhões de pessoas todos os anos e provocam perdas anuais de 520 mil milhões de dólares no consumo, revela um relatório hoje publicado pelo Banco Mundial. 

 

O ambiente depois da passagem do furacão Matthew em Baracia, Cuba, no dia 07 de Outubro de 2016. Foto@ Alejandro Ernesto /EPA

 

Intitulado "Inquebrável: Construir a Resiliência dos Pobres Perante Desastres Naturais", o relatório do Banco Mundial e da Instituição Global para a Redução de Desastres e Recuperação (GFDRR) avisa que o impacto humano e económico dos fenómenos climáticos extremos é muito mais devastador do que se pensava.

 

"Os choques climáticos severos ameaçam fazer reverter décadas de progressos contra a pobreza", disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado num comunicado da instituição.

 

"As tempestades, as inundações e as secas têm graves consequências humanas e económicas, com os pobres a pagarem muitas vezes o preço mais elevado. Construir resiliência aos desastres não só faz sentido em termos económicos, como é um imperativo moral", acrescentou.

 

Divulgado durante a conferência do Clima da ONU (COP22), a decorrer em Marraquexe, o relatório analisa os efeitos dos fenómenos climáticos extremos em duas medidas: as perdas patrimoniais e as perdas no bem-estar, o que permite avaliar melhor os danos para os pobres, já que "perdas de um dólar não significam o mesmo para uma pessoa rica do que para uma pessoa pobre".

 

Em todos os 117 países estudados, escrevem os autores, o efeito dos extremos climáticos no bem-estar, medido em perdas no consumo, é maior do que nas perdas patrimoniais.

 

Uma vez que os efeitos dos desastres naturais afetam desproporcionadamente os pobres, que têm uma capacidade limitada para lidar com eles, o relatório estima que o impacto no bem-estar nesses países seja equivalente a perdas no consumo de 520 mil milhões de dólares por ano. Esta estimativa ultrapassa todas as previsões anteriores em até 60%.

 

Os investigadores exemplificam que, se fosse possível evitar todos os desastres naturais em oito países estudados, o número de pessoas na pobreza extrema - que vivem com menos de um dólar por dia - cairia em 26 milhões.

 

Divulgado durante a conferência do clima da ONU (COP22), a decorrer em Marraquexe até dia 18, o relatório sublinha a urgência da adoção de políticas inteligentes em termos climáticos, para melhor proteger os mais vulneráveis.

 

Os pobres estão tipicamente mais expostos aos desastres naturais, perdendo mais na proporção da sua riqueza, e muitas vezes não têm apoios, seja da família, dos sistemas financeiros ou dos governos.

 

O relatório do BM usa um novo método para medir os danos dos desastres, contabilizando o peso desigual dos desastres naturais nos pobres.

 

Os autores exemplificam que o ciclone Nargis, que afetou a Birmânia (Myanmar) em 2008, forçou até metade dos agricultores do país a vender propriedades, incluindo terra, para aliviar o peso da dívida que contraíram devido ao desastre. As repercussões económicas e sociais do Nargis sentir-se-ão por gerações, alertam.

 

O relatório avalia, pela primeira vez, os benefícios de intervenções que permitam aumentar a resiliência nos países estudados, incluindo sistemas de alerta, acesso melhorado à banca pessoal, políticas de seguros, e sistemas de proteção social que permitam ajudar as pessoas a responder e a recuperar melhor dos choques.

 

Combinadas, estas medidas ajudariam os países e as comunidades a pouparem 100 mil milhões de dólares por ano e a reduzirem o impacto dos desastres no bem-estar em 20 por cento.

 

"Os países enfrentam um número crescente de choques inesperados como resultado das alterações climáticas", disse Stephane Hallegatte, economista da GFDRR, acrescentando que "os pobres precisam de proteção social e financeira contra os desastres que não podem ser evitados".

 

"Com as políticas que sabemos serem eficazes, temos a oportunidade de evitar que milhões de pessoas caiam na pobreza", concluiu.

 

com Lusa

horadoplaneta às 12:13 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

pesquisar

 

Janeiro 2018

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

arquivos

tags

subscrever feeds

blogs SAPO