Segunda-feira, 30.10.17

ONU: Dióxido de carbono na atmosfera atinge nível recorde em 2016

As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera responsáveis pelas alterações climáticas atingiram um nível recorde em 2016, anunciou hoje a Organização Mundial de Meteorologia, que alerta para uma possível "subida perigosa da temperatura".



 

"A última vez que a Terra registou um teor de dióxido de carbono comparável foi há três a cinco milhões de anos: a temperatura era 2º a 3ºC [Celsius] mais elevada e o nível do mar era superior em 10 a 20 metros relativamente ao atual", refere a agência das Nações Unidas, no seu boletim anual sobre gases com efeito de estufa.

 

Lusa

horadoplaneta às 10:44 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 14.06.17

Mostrar amor pelos oceanos

Um belíssimo filme revela-nos tudo o que os oceanos nos dão. E faz-nos pensar ‘e nós, o que damos em troca?’ 


 

Basta um minuto, um simples minuto para sensibilizar a humanidade para a importância dos oceanos e a necessidade de os preservar. Basta um minuto e um filme extremamente bem feito, com o actor mexicano Diego Luna, que tem vindo a revelar-se um paladino da causa. Ainda esta semana o actor activista esteve presente na Semana dos Oceanos das Nações Unidas.

 

Intitulado “What The Ocean Gives Us”, o vídeo foi gravado em conjunto com a marca de cerveja mexicana Corona e a Parley, uma das ONG que melhor promove a defesa dos oceanos e pretende ainda chamar a atenção para o projecto conjunto de proteger 100 ilhas da ameaça dos plásticos nos oceanos. Um projecto que se estende até 2020.

 

 

Fonte: Green Savers

horadoplaneta às 15:54 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

Juncker: União Europeia não vai renegociar Acordo de Paris sobre o clima

O presidente da Comissão Europeia assegurou hoje, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que “a União Europeia não vai renegociar o Acordo de Paris” sobre o clima, apesar do abandono dos Estados Unidos, que classificou como uma desilusão. 

 

 

“Os 29 artigos do acordo devem ser implementados e não renegociados. A acção climática não necessita de mais distracções. Passámos 20 anos a negociar, agora é tempo de agir, é tempo de implementar”, declarou Jean-Claude Juncker, que foi ovacionado pelos eurodeputados.

 

Juncker disse que a UE está “desapontada” e “lamenta a decisão” da administração norte-americana liderada por Donald Trump de “abdicar da acção comum” no combate ao aquecimento global, mas sublinhou que a mesma “não significa o fim do Acordo de Paris”.

 

Manifestou-se mesmo convicto de que a saída dos EUA "tornará o resto do mundo mais unido e determinado em trabalhar com vista à plena implementação" do "acordo histórico" assinado na capital francesa em 2015.

 

Lusa

horadoplaneta às 12:42 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 23.01.17

China convida Trump a combater em conjunto alterações climáticas

O Governo chinês convidou hoje a nova administração dos Estados Unidos, encabeçada por Donald Trump, a combater em conjunto as alterações climáticas e sublinhou que todos os países devem cumprir com o Acordo de Paris. 

 

 

Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, garantiu em conferência de imprensa que Pequim tem "mantido contacto" com o novo Executivo norte-americano.

 

"A China está disposta a trabalhar com todas as partes, incluindo a nova Administração dos EUA, para continuar com o diálogo e a cooperação sobre a questão das alterações climáticas", disse Hua.

 

A porta-voz do ministério considerou o Acordo de Paris um "marco histórico", que a China tem intenção de implementar nas suas políticas domésticas e quer promover no exterior.

 

"É um feito que não foi fácil de alcançar. Todos os países deviam seguir a tendência, aproveitar a oportunidade, adotar ações e implementar o acordo para benefício das gerações futuras", referiu.

 

Hua insistiu na vontade da China de trabalhar junto com Trump, apesar das críticas do Presidente norte-americano às políticas comerciais do país asiático ou a sua aproximação a Taiwan, que Pequim considera território seu e não uma entidade política soberana.

 

"Estamos prontos para trabalhar com a nova Administração (dos Estados Unidos) de uma forma construtiva, para solucionar as nossas diferenças e evitar que perturbem as relações gerais entre os dois países", afirmou a porta-voz.

 

Durante a campanha e já como Presidente eleito, Donald Trump culpou o país asiático de "manipulação da moeda", ou "batotice", e ameaçou taxar os produtos chineses em 45%.

 

Alguns analistas consideram que poderá ocorrer uma guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

 

"As guerras ou confrontações comerciais não produzirão vencedores, apenas prejudicarão os interesses de ambos e de todas as partes", afirmou Hua, que instou Washington a resolver com Pequim as suas disputas e desacordos em matéria comercial.

 

com Lusa

horadoplaneta às 21:58 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 22.11.16

Recordes das temperaturas altas vão ser mais frequentes do que das frias

Um estudo divulgado, nesta segunda-feira, prevê que os recordes diários de temperaturas elevadas nos EUA vão ser batidos com mais frequência do que no caso das frias. 

 

AFP Photo@ Jim Watson

 

Normalmente, o país tem registado o mesmo número de máximos de temperaturas quentes e frias ao longo dos anos. Mas desde 2010 que isso deixou de acontecer, com os recordes dos dias quentes a mais do que duplicarem os dos dias frios.

 

O estudo, publicado nos Anais da Academia norte-americana de Ciências, prevê que à medida que as alterações climáticas se intensificarem este rácio suba para cerca de 15 recordes de calor por cada um de frio.

 

O autor principal do estudo, Gerald Meehlm, do Centro norte-americano de Investigação Atmosférica, estimou que este rácio tão desequilibrado pode ocorrer dentro de 50 anos a partir de agora, se as emissões de gases com efeito de estufa, resultantes da queima de carvão, petróleo e gás, continuarem com o ritmo atual.

 

com Lusa

horadoplaneta às 12:57 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Quarta-feira, 16.11.16

Pequim em alerta laranja por causa da poluição

As autoridades de Pequim vão ativar à meia-noite de quinta-feira na capital chinesa o alerta laranja por poluição, devido ao espesso manto que deverá cobrir os céus da cidade até domingo, informou a agência oficial Xinhua. 

 

Foto@ Wu Hong / EPA

 

O alerta laranja, o segundo mais alto de uma escala de quatro, será oficialmente ativado à meia-noite (hora local).

 

A concentração de partículas PM 2,5, as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões, às 12:00 de hoje estavam fixadas em 165 microgramas por metro cúbico.

 

Apesar de estar muito acima dos 25 microgramas máximos recomendados pela Organização Mundial de Saúde, é inferior ao registado em novembro de 2015, quando por três dias consecutivos se fixou entre 450 e 666 microgramas.

 

Apesar do alto nível de concentração, as autoridades não foram além do um alerta laranja.

 

Foi só entre 07 e 10 de dezembro passado que a capital chinesa decretou o primeiro alerta vermelho, desde que o sistema de cores foi criado, em 2013, depois de críticas por essa decisão não ter sido tomada antes.

 

O alerta laranja implica restrições no trânsito (os carros só podem circular em dias alternados, conforme o número da matrícula), enquanto a população é recomendada a não sair de casa, especialmente crianças e idosos.

 

As fábricas e estaleiros mais poluentes reduzem ou interrompem a produção, enquanto as atividades escolares ao ar livre são canceladas.

 

Segundo a normativa, o alerta laranja é emitido sempre que os níveis de concentração ultrapassem os 200 microgramas. Já o vermelho surge quando se prevê que a poluição se fixe acima daquele nível por pelo menos três dias consecutivos.

 

Os alertas devem ser emitidos pelo menos 24 horas antes de a poluição alcançar o pico.

 

com Lusa

horadoplaneta às 10:15 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 14.11.16

Desastres naturais atiram anualmente 26 milhões de pessoas para a pobreza - BM

Os desastres naturais atiram para a pobreza 26 milhões de pessoas todos os anos e provocam perdas anuais de 520 mil milhões de dólares no consumo, revela um relatório hoje publicado pelo Banco Mundial. 

 

O ambiente depois da passagem do furacão Matthew em Baracia, Cuba, no dia 07 de Outubro de 2016. Foto@ Alejandro Ernesto /EPA

 

Intitulado "Inquebrável: Construir a Resiliência dos Pobres Perante Desastres Naturais", o relatório do Banco Mundial e da Instituição Global para a Redução de Desastres e Recuperação (GFDRR) avisa que o impacto humano e económico dos fenómenos climáticos extremos é muito mais devastador do que se pensava.

 

"Os choques climáticos severos ameaçam fazer reverter décadas de progressos contra a pobreza", disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado num comunicado da instituição.

 

"As tempestades, as inundações e as secas têm graves consequências humanas e económicas, com os pobres a pagarem muitas vezes o preço mais elevado. Construir resiliência aos desastres não só faz sentido em termos económicos, como é um imperativo moral", acrescentou.

 

Divulgado durante a conferência do Clima da ONU (COP22), a decorrer em Marraquexe, o relatório analisa os efeitos dos fenómenos climáticos extremos em duas medidas: as perdas patrimoniais e as perdas no bem-estar, o que permite avaliar melhor os danos para os pobres, já que "perdas de um dólar não significam o mesmo para uma pessoa rica do que para uma pessoa pobre".

 

Em todos os 117 países estudados, escrevem os autores, o efeito dos extremos climáticos no bem-estar, medido em perdas no consumo, é maior do que nas perdas patrimoniais.

 

Uma vez que os efeitos dos desastres naturais afetam desproporcionadamente os pobres, que têm uma capacidade limitada para lidar com eles, o relatório estima que o impacto no bem-estar nesses países seja equivalente a perdas no consumo de 520 mil milhões de dólares por ano. Esta estimativa ultrapassa todas as previsões anteriores em até 60%.

 

Os investigadores exemplificam que, se fosse possível evitar todos os desastres naturais em oito países estudados, o número de pessoas na pobreza extrema - que vivem com menos de um dólar por dia - cairia em 26 milhões.

 

Divulgado durante a conferência do clima da ONU (COP22), a decorrer em Marraquexe até dia 18, o relatório sublinha a urgência da adoção de políticas inteligentes em termos climáticos, para melhor proteger os mais vulneráveis.

 

Os pobres estão tipicamente mais expostos aos desastres naturais, perdendo mais na proporção da sua riqueza, e muitas vezes não têm apoios, seja da família, dos sistemas financeiros ou dos governos.

 

O relatório do BM usa um novo método para medir os danos dos desastres, contabilizando o peso desigual dos desastres naturais nos pobres.

 

Os autores exemplificam que o ciclone Nargis, que afetou a Birmânia (Myanmar) em 2008, forçou até metade dos agricultores do país a vender propriedades, incluindo terra, para aliviar o peso da dívida que contraíram devido ao desastre. As repercussões económicas e sociais do Nargis sentir-se-ão por gerações, alertam.

 

O relatório avalia, pela primeira vez, os benefícios de intervenções que permitam aumentar a resiliência nos países estudados, incluindo sistemas de alerta, acesso melhorado à banca pessoal, políticas de seguros, e sistemas de proteção social que permitam ajudar as pessoas a responder e a recuperar melhor dos choques.

 

Combinadas, estas medidas ajudariam os países e as comunidades a pouparem 100 mil milhões de dólares por ano e a reduzirem o impacto dos desastres no bem-estar em 20 por cento.

 

"Os países enfrentam um número crescente de choques inesperados como resultado das alterações climáticas", disse Stephane Hallegatte, economista da GFDRR, acrescentando que "os pobres precisam de proteção social e financeira contra os desastres que não podem ser evitados".

 

"Com as políticas que sabemos serem eficazes, temos a oportunidade de evitar que milhões de pessoas caiam na pobreza", concluiu.

 

com Lusa

horadoplaneta às 12:13 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 08.11.16

Moçambique foi o país mais afetado por fenómenos climáticos em 2015 - estudo

Moçambique foi o país mais afetado em 2015 pelos fenómenos climáticos extremos e quase metade dos Estados mais atingidos estão em África, conclui um relatório hoje publicado em Marraquexe, por ocasião da conferência da ONU cobre o clima (COP22)

 

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Foto@ António Silva/EPA

 

"A África é particularmente vulnerável aos impactos das alterações climáticas", sublinhou Sönke Kreft, autor principal do 12.º "índice anual dos riscos climáticos" publicado pela organização não-governamental Germanwatch.

 

De maneira geral, os países pobres são os mais expostos às tempestades, ondas de calor, inundações ou secas, fenómenos cuja intensidade e frequência aumenta sob o efeito do aquecimento global.

 

"A repartição dos fenómenos climáticos não é equitativa", acrescentou Kreft, lembrando que os países em desenvolvimento só são historicamente responsáveis por uma parte muito pequena das emissões de gases com efeito de estufa na origem destes fenómenos.

 

O índice da Germanwatch regista os acontecimentos extremos em 180 países, com base em dados da seguradora alemã MunichRe, entre outros.

 

Em 2015, o país mais afetado por fenómenos climáticos foi Moçambique, com 351 mortes atribuíveis aos fenómenos extremos, que provocaram danos estimados em 500 milhões de dólares.

 

No ano passado, recordam os autores do estudo, Moçambique foi atingido por graves inundações que resultaram de chuvas intensas que começaram em dezembro de 2014 e duraram até ao fim de janeiro de 2015 ou mais. Cerca de 325 mil pessoas foram afetadas pelas inundações em Moçambique e 163 pessoas morreram.

 

As inundações também provocaram consequências severas nas infraestruturas e na agricultura e levaram a surtos de doenças como a cólera.

 

Os restantes países mais afetados pelos fenómenos climáticos em 2015 são a Dominica, Maláui, Índia, Vanuatu, Birmânia, Bahamas, Gana, Madagáscar e Chile.

 

A África, continente que acolhe a COP22, a decorrer em Marraquexe até dia 18, é particularmente afetada, com quatro dos 10 países mais atingidos em 2015 (Moçambique, Maláui, Gana e Madagáscar).

 

Entre os 10 países africanos mais afetados em 2015 pelos fenómenos climáticos extremos estão quatro países de língua portuguesa: Moçambique (1.º lugar), Cabo Verde (8.º), Guiné-Bissau (9.º) e Angola (10.º). Moçambique é também o segundo país africano mais afetado nos últimos 20 anos.

 

De 1996 a 2015, perto de 11.000 episódios extremos mataram 528 mil pessoas no mundo, sublinha o relatório.

 

Tempestades, vagas de calor e inundações custaram mais de 3.000 mil milhões de dólares (2.700 mil milhões de euros) no mesmo período.

 

Dos dez países mais afetados nas duas últimas décadas, nove eram países em desenvolvimento no grupo dos Estados de baixo e médio-baixo rendimento.

 

Ao longo destes 20 anos, os países mais afetados foram as Honduras, a Birmânia e o Haiti.

 

As Filipinas, o Bangladesh, o Paquistão, o Vietname e a Tailândia foram também particularmente afetados, tanto em termos humanos como financeiramente.

 

O ranking da Germanwatch tem em conta o número absoluto de mortos e a taxa de mortalidade associada aos fenómenos climáticos, assim como as perdas financeiras absolutas e as perdas por unidade do PIB.

 

A 22.ª conferência do clima da ONU decorre até 18 de novembro com a concretização do Acordo de Paris, alcançado no ano passado, na ordem do dia.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:36 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 07.11.16

Conferência das Nações Unidas já começou para "avançar a ação climática"

A 22.ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP22) já começou, reunindo perto de 20 mil pessoas, em Marrocos, para concretizar os compromissos assumidos no Acordo de Paris, contra o aquecimento global. 

 

 

As bandeiras dos países participantes da Conferência das Nações Unidas (COP22) em Marraquexe (Marrocos). Foto@ Mohamed Messara / EPA

 

"Marraquexe é o momento de fazer avançar a ação climática", exortou a responsável pelo Clima nas Nações Unidas, Patricia Espinosa, na sessão de abertura da conferência, apelando aos países que acelerem as medidas a tomar.

 

A 22.ª conferência é uma oportunidade “para inventar um mundo futuro e conseguir uma justiça climática", declarou Ségolène Royal, ministra do Ambiente francesa e presidente da cimeira que firmou o Acordo de Paris, no ano passado, assinado por 192 Estados e já ratificado por uma centena.

 

"Lanço um apelo aos países que ainda não ratificaram [o Acordo de Paris], a fazê-lo antes do final do ano", instou.

 

O chefe da diplomacia marroquina, Salaheddine Mezouar, que preside à COP22, apelou ao mundo para "manter o espírito" de Paris, que significou uma "mobilização sem precedentes", traduzida no acordo adotado em finais de 2015.

 

“O que está em jogo não são só as alterações climáticas, mas uma questão de civilização e de desenvolvimento económico”, frisou, apelando aos países que sejam “mais ambiciosos”.

 

O ministro marroquino sublinhou ainda a “responsabilidade coletiva” para responder às necessidades dos países mais vulneráveis, corroborado pelas declarações da ministra francesa, que lembrou que “África é o continente que sofre mais com as alterações climáticas sem ter responsabilidade por elas”.

 

Os negociadores ainda têm muitas matérias para acordar, de forma a tornar o pacto operacional, nomeadamente a definição de regras de transparência, a apresentação das estratégias nacionais até 2050 e a ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

 

As regras de transparência dizem respeito às informações que os países deverão fornecer sobre os esforços para limitar as suas emissões e os progressos nas ajudas financeiras públicas.

 

Paralelamente a uma maior transparência, o acordo prevê um reforço dos planos de ação de cada país, com vista a limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

Além do objetivo de limitar o aquecimento a +2ºC, o Acordo de Paris prevê que os países realizem "todos os esforços necessários" para que não se ultrapassem os 1,5 graus Celsius, evitando assim "os impactos mais catastróficos das alterações climáticas".

 

No entanto, os compromissos atuais colocam o planeta numa trajetória de +3°C, ou até mesmo 3,4°C, segundo um relatório das Nações Unidas recentemente divulgado.

 

Para conseguir manter o aquecimento abaixo dos +2ºC, as emissões de gases com efeito de estufa têm de parar de aumentar e depois têm de ser reduzidas entre 40 e 70 por cento, entre 2010 e 2050, segundo os especialistas.

 

A estagnação e, posteriormente, a redução das emissões de gases com efeito de estufa implicam uma opção profunda por energias verdes e o abandono dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás).

 

Serão precisos investimentos avultados para tornar os setores da habitação, dos transportes e da indústria menos dependentes de energia, assim como novas políticas agrícolas e alimentares. Isto significa que os países terão de fazer mais do que os compromissos assumidos no Acordo de Paris.

 

O tema do financiamento estará também no coração do debate, tanto em relação à ajuda pública aos países em desenvolvimento de 100 mil milhões de dólares, prometidos até 2020, como ao objetivo de tornar "mais verdes" as finanças mundiais.

 

com Lusa

horadoplaneta às 14:45 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 04.11.16

Primeiro acordo universal contra as alterações climáticas entra em vigor

O Acordo de Paris, o primeiro pacto universal contra o aquecimento global, entra hoje simbolicamente em vigor, menos de um ano após ser adotado, mas há um longo caminho a percorrer até à sua aplicação. 

 

 Foto@ Ian Langsdon / EPA

 

A entrada em vigor ocorre após o Acordo de Paris, adotado a 12 de dezembro do ano passado por 195 países na capital francesa, ter sido ratificado pelo número suficiente de países que representem 55% das emissões mundiais de gases com efeito de estufa.

 

Essa meta foi alcançada a 05 de outubro, quando a União Europeia (UE), que representa 12% das emissões, entregou a documentação de ratificação do acordo na sede da ONU. Até então, os 61 países que já tinham ratificado o acordo somavam apenas 47,7% das emissões globais.

 

Nas vésperas da 22.ª Conferência do Clima da ONU (COP22), que arranca na segunda-feira em Marraquexe, um total de 94 países, dos 192 signatários, já ratificaram o Acordo de Paris, um ritmo que ultrapassou as expetativas dos especialistas.

 

"Fizemos em nove meses o que demorou oito anos no protocolo de Quioto", afirmou a presidente da COP21, a ministra francesa Ségolène Royal, citada pela AFP.

 

A rapidez da resposta dos Estados demonstra a tomada de consciência, ao mais alto nível, da necessidade de limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

São poucos os grandes emissores que ainda não ratificaram o acordo: a Rússia não deu indicação sobre uma eventual data para a ratificação, enquanto a Austrália e o Japão estão comprometidos em avançar com o processo.

 

Ainda assim, alerta o especialista Alden Meyer, da organização norte-americana União dos Cientistas Preocupados, "é importante manter a dinâmica de Paris e não apenas regozijar-se com a entrada em vigor".

 

Os negociadores ainda têm muitas matérias sobre as quais é preciso chegar a acordo, de forma a tornar o pacto operacional, nomeadamente a definição de regras de transparência, a apresentação das estratégias nacionais até 2050, a ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

 

"A COP22 tem de ser uma reunião de ação e de implementação", afirmou Tosi Mpanu-Mpanu, porta-voz do grupo dos países menos avançados, citado pela AFP. Destinado a substituir em 2020 o Protocolo de Quioto, o Acordo de Paris visa limitar o aquecimento global a +2°C acima dos níveis pré-industriais.

 

No entanto, o texto acrescenta que os países se comprometem a levar a cabo "todos os esforços necessários" para que não se ultrapassem os 1,5 graus Celcius, evitando assim "os impactos mais catastróficos das alterações climáticas".

 

Este último objetivo foi incluído por exigência dos países pobres e dos Estados insulares, mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, como a subida do nível do mar e a seca.

 

No entanto, os especialistas avisam que mesmo a meta de +2ºC será difícil de alcançar, implicando cortes mais drásticos nas emissões globais da queima de carvão, petróleo e gás.

 

Os cientistas avisam que, ao ritmo atual, o mundo ficará quatro graus mais quente, ou três graus, se os países cumprirem as metas autoimpostas de redução das emissões nacionais.

 

Já na quinta-feira, um relatório da ONU relembrou que o Acordo de Paris já vem atrasado e que é urgente agir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa se se quiser evitar "uma tragédia". A novidade do Acordo de Paris foi que, pela primeira vez, se juntaram os países mais contaminantes e os mais vulneráveis.

 

O Protocolo de Quioto, de 1997, estabelecia objetivos de emissões apenas para os países desenvolvidos, uma das razões por que os EUA não se quiseram vincular.

 

O Acordo de Paris é legalmente vinculativo no seu conjunto, mas não em parte do seu desenvolvimento ou nos objetivos nacionais de redução das emissões.

 

A sua força reside no mecanismo com o qual serão periodicamente revistos os compromissos de cada país, o que é vinculativo.

 

Cada Estado é obrigado a apresentar contas do seu cumprimento e a renovar os seus contributos a cada cinco anos e os países que o quiserem podem usar mecanismos de mercado (compra e venda de emissões) para cumprir os objetivos.

 

O acordo não estabelece sanções por incumprimento, mas prevê a criação de um comité que desenhe um mecanismo transparente para garantir que os compromissos são cumpridos e para alertar, antes do fim dos prazos, se os objetivos são ou não alcançáveis.

 

com Lusa

horadoplaneta às 11:29 | link do post | comentar | Adicionar aos favoritos

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